O frio intenso que se estabeleceu sobre o Rio Grande do Sul na última semana de julho, após forte massa de ar polar, causou temperaturas negativas em várias regiões do estado. Para esquentar, as lareiras estão entre as opções utilizadas durante o inverno. Contudo, o uso incorreto do equipamento pode resultar em acidentes.
De acordo com o Corpo de Bombeiros Militar do Rio Grande do Sul (CBMRS), o número de ocorrências de incêndio envolvendo lareiras aumentou 25,8% em 2025. Até o início de julho, foram 112 registros. No mesmo período do ano passado, foram contabilizados 89.
O capitão do CBMRS, Manoel Maurício Ramos Neto, perito de incêndio e explosão e especialista em segurança contra incêndios, explica que muitos casos referem-se ao uso indevido da lareira ecológica, que funciona com combustível líquido inflamável.
De acordo com Ramos Neto, um dos erros mais perigosos é tentar reabastecer o reservatório com o equipamento ainda quente ou em funcionamento. Mesmo que a chama pareça apagada, o calor residual pode causar a combustão instantânea do álcool, resultando em queimaduras severas.
“Outro ponto de atenção é em relação ao ambiente: como a combustão consome oxigênio e pode liberar gases nocivos, é indispensável que o local tenha ventilação adequada. Em ambientes totalmente fechados, há risco de acúmulo de monóxido de carbono — um gás invisível, sem cheiro e altamente tóxico”, afirma o capitão.
Conforme o capitão, em caso de acidente, jamais tente apagar o fogo com água, pois o contato com líquidos inflamáveis pode espalhar as chamas. O correto é utilizar extintores adequados para líquidos inflamáveis (Classe B) ou lançar mão de métodos que eliminem o oxigênio, como abafamento com manta específica ou pano grosso.
Além disso, não é recomendado mover o equipamento enquanto ele estiver quente ou com combustível em uso. Há risco de derramamento e combustão imediata.
Cuidados essenciais no uso de lareiras ecológicas:
O capitão Manoel Maurício Ramos Neto também explica os cuidados indicados em relação às lareiras tradicionais.
“Elas devem ser utilizadas com proteção frontal (como grades ou telas) para evitar que fagulhas ou brasas alcancem materiais inflamáveis. É fundamental manter a chaminé limpa e em bom estado para garantir a saída dos gases da combustão”, completa.