O Rio Grande do Sul terá 1.043 candidatos nas eleições de 2026, entre disputas para a Assembleia Legislativa, Câmara dos Deputados, Senado e governo do Estado. O número representa uma queda de 27,2% em relação a 2022, quando eram 1.433 nomes, e também é inferior ao registrado em 2018 (1.340) e 2014 (1.088).
O prazo para formalização das candidaturas terminou no sábado (15). Os registros ainda serão analisados pela Justiça Eleitoral, que poderá deferi-los ou indeferi-los.
A redução no volume de candidaturas é puxada principalmente pelas disputas para deputado federal e estadual:
Segundo o cientista político e professor da Escola de Humanidades da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), Augusto Neftali de Oliveira, a queda está relacionada a um processo de reorganização partidária influenciado pela cláusula de desempenho, em vigor desde 2018.
A regra estabelece critérios mínimos de votação ou de eleição de deputados federais para que os partidos tenham acesso a recursos do fundo partidário e ao tempo de propaganda no rádio e na televisão.
Em 2026, os partidos precisam obter pelo menos 2,5% dos votos válidos para deputado federal, com um mínimo de 1,5% em nove Estados, ou eleger 13 deputados federais distribuídos por pelo menos nove Estados para cumprir os critérios da cláusula. Entre as estratégias adotadas pelos partidos nesse cenário estão as federações, além de fusões e incorporações.
Para Neftali, a regra faz parte de um esforço para diminuir a quantidade de partidos e tornar mais compreensível para o eleitor o conjunto de opções em disputa.
Em 2014, o Brasil chegou a ser o país com o maior número de partidos parlamentares do mundo, ou seja, o país com a mais elevada fragmentação partidária na história das democracias. Essa foi uma situação muito grave e que foi trabalhada institucionalmente, com regras para conter a fragmentação partidária.
AUGUSTO NEFTALI DE OLIVEIRA
Cientista político e professor da PUCRS.
Segundo o professor, a reorganização do sistema pode facilitar a identificação dos grupos políticos e o acompanhamento do trabalho dos eleitos. A cláusula de desempenho será ampliada gradualmente até 2030, quando chegará ao patamar de 3% dos votos válidos para a Câmara dos Deputados.