Alto número de homicídios causa “estranheza”, diz chefe de polícia

O chefe da Polícia Civil gaúcha,Guilherme Wondracek, classificou como "fora dos padrões" o elevado número de homicídios ocorridos no fim de semana no Estado. Somente em Porto Alegre, foram 17 assassinatos desde sexta-feira.

Em entrevista , Wondracek afirmou não ter uma explicação para este aumento.

"Causou estranheza até para nós. O pessoal do Departamento de Proteção à Pessoa, do Departamento de Homicídios, que está acostumado com esse dia-a-dia, ficou abismado", admitiu o delegado.

Na entrevista, Wondracek garantiu que os policiais estão trabalhando, mesmo com o parcelamento dos salários. Ele afirmou que somente ocorrências não criminais é que não estão sendo registradas nas delegacias e devem ser feitas pela internet. 

Em protesto contra o parcelamento de salários e para evitar uma espécie de agenda positiva para o governo, os delegados não estão repassando informações dos inquéritos à imprensa.

O delegado reclamou ainda do Judiciário, afirmando que a polícia entrega os inquéritos com indicação dos autores dos crimes, o Ministério Público denuncia, mas no Judiciário não há um trâmite com a mesma agilidade.

"Isso talvez causa uma sensação de impunidade, que com o nosso trabalho gostaríamos que acabasse, mas não é isso que está acontecendo", destacou.

Perguntado se a rotina da Polícia Civil mudou entre 2014 e 2015, com o corte de verbas, disse que sim.

"É claro. Se eu disser que não, não vou estar sendo coerente. Redução de diárias e de horas extras causa um abalo, sem dúvida. Policiais ficam insatisfeitos. Estamos acostumados com um ritmo de trabalho, nós tivemos que redirecionar essas horas extras, otimizar os nossos recursos para poder tentar trabalhar na mesma medida", afirmou.

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