Alunos dos anos iniciais do ensino fundamental voltam às aulas presenciais no RS

Adesão dos alunos dos anos iniciais do EF foi baixa — Foto: Reprodução/RBS TV

Último segmento da educação a voltar às aulas presenciais no estado, as turmas dos anos iniciais do ensino fundamental aderiram pouco ao retorno nesta quinta-feira (12).

A maioria das 2,4 mil escolas estaduais segue fechada. Em 234 municípios, os decretos municipais impedem a retomada do ensino presencial.

Nas regiões de Cruz Alta, Ijuí e Santo Ângelo, 155 escolas não podem reabrir por conta da bandeira vermelha do mapa do distanciamento controlado.

Onde o retorno tá autorizado, as direções continuam alegando falta de estrutura ou de pessoal para montar os Centros de Operações de Emergência (COE).

Na escola Emilio Massot, em Porto Alegre, os professores atendem em regime de plantão, entregando material para os alunos que não conseguem acessar a internet. A diretora Cirlânia Souza diz que está tentando montar o COE e que o clima entre os professores ainda é de insegurança com risco de contaminação pelo coronavirus.

“Até porque temos colegas doentes, que foram contaminados, tivemos colegas que perderam recentemente mãe, avós. Isso aumenta ainda mais a nossa insegurança e o nosso medo”, afirma.

A Secretaria Estadual da Educação (SEDUC) afirma que as escolas que ainda não retornaram ao ensino presencial devem se manter abertas em regime de plantão para receber os equipamentos de proteção individual e os materiais de higienização, que estão sendo entregues em todo o estado.

A SEDUC disse ainda que deve divulgar nos próximos dias as informações sobre o ano letivo de 2021. Ela já antecipou, entretanto, que as ferramentas digitais devem continuar, em um modelo híbrido de ensino.

De acordo com o balanço do governo, já foram entregues 88% dos materiais prioritários, como mascaras, termômetros e álcool em gel.

Desafios nas escolas

 

A Escola David Canabarro, onde estudam 400 alunos do ensino fundamental, conseguiu montar o COE e comprar o material necessário. Na entrada tem álcool em gel e tapete sanitizante. Nesta quinta, a secretaria da educação entregou máscaras. Mas a maioria dos estudantes não deve voltar.

“A gente sabia que 11 alunos retornariam, mas, desses 11, três retornaram de manhã e um à tarde. A gente ter que mobilizar toda a escola, criar toda a organização pra atender um aluno, como a merenda, fica muito difícil, bem complicado”, lamenta a diretora Ângela Zanettini.

Na tarde desta quinta, o estudante João Francisco da Rocha foi o único aluno que apareceu na escola, na Zona Norte da Capital.

“É diferente. Não é a mesma coisa”, lamenta o menino de 10 anos.

A mãe dele, a cozinheira Silvia Raquel Castro da Rocha, também já estava ansiosa pelo retorno. Ela relata que o filho já não tinha mais vontade de fazer as atividades em casa.

“Ele já não queria mais fazer nada no WhastApp, cansou. Teve um monte de tarefas que eu busquei aqui e ele não quis fazer, porque era ruim de trabalhar com ele em casa. Tem que estar com a professora, sente muito falta da professora”, revela a mãe.

Depois de oito meses em casa, o desafio de alunos e professores é retomar o ritmo, superando as falhas de aprendizagem que apareceram pelo caminho.

“A gente tem que avaliar eles pela internet, à distância. Mas o rendimento está sendo satisfatório. Não posso dizer que está sendo maravilhoso. Com o primeiro ano do João, me surpreendi bastante com o conteúdo que ele vem trazendo de casa. Isso prova que a família não abandonou totalmente. Eles estão dando o apoio que a gente vem pedindo”, comenta a professora Deise Nunes.

G1 RS

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