Após greve de caminhoneiros e chuva, plantio de trigo avança no Rio Grande do Sul

Agricultores aguardam com ansiedade a chegada de produtos nas propriedades para darem início ao plantio de trigo, que segue até fim de julho no Rio Grande do Sul. A greve dos caminhoneiros e a chuva que caiu nas últimas semanas na Metade Norte do estado atrasaram a semeadura.

Cristiano Pierdoná, de Passo Fundo, deve cultivar 150 hectares este ano. Ele aguarda pelos fertilizantes. "Já fazem 20 dias que está atrasado", comentou ele no início da semana passada. O produtor também espera que a umidade do solo diminua para colocar as máquinas na lavoura.

Apesar do atraso, o engenheiro agrônomo da Emater Cláudio Dóro tranquiliza os produtores: "Estamos ainda na melhor época de plantar o trigo. O plantio se concentra mais em meados do mês de junho se prolongando até o mês de julho. Claro que tem regiões tritícolas, como Vacaria e Lagoa Vermelha, mais frias, que plantam trigo até o fim de julho", diz.

Na última sexta-feira (8), a Emater divulgou o primeiro levantamento de intenção de plantio, pesquisado em 282 municípios gaúchos, abrangendo 97% da área de produção do estado.

Embora a estimativa indique uma redução de 3,35% em relação à safra passada, quando, segundo o IBGE, foram cultivados 691.553 hectares, diminuíndo para 668.395 hectares este ano, a produção deve ser maior. Considerando uma produtividade média de 2.142 kg/ha, calculada a partir das produtividades médias das últimas 10 safras, a produção total a ser alcançada seria de 1,431 milhão de toneladas. Isso significa um aumento de 16,71% em relação ao ano passado, quando o estado colheu apenas 1,226 milhão de toneladas, devido à baixa produtividade registrada (1.777 kg/ha).

A expectativa é que o bom preço pago pela saca e clima favorável encorajem agricultores ainda indecisos a ampliarem a área destinada ao cereal no estado, nas próximas semanas.

"Um mês atrás nós tínhamos um quadro negativo, agora nos últimos 30 dias melhorou justamente por dois fatores, o primeiro é o preço do trigo, hoje no mercado ele é atrativo. Há um ano, o trigo era cotado em R$ 31, atualmente em R$ 43 a saca de 60 kg, com uma evolução de preço de 31%. E também juntando outro fator importante que é a condição climática, que hoje nós temos projeção de um inverno mais frio e chuvas dentro da média", acrescenta Dóro.Quem ainda tem trigo estocado nas propriedades da safra passada aproveita o bom momento para comercializar a produção. "Hoje está melhor que a própria soja para ser comercializado, porque tem mais liquidez. Os moinhos estão pagando com prazo à vista, e pela soja estão querendo 40 dias para ser pago. Então existe o momento para fazer o negócio, e esse é o momento de fazer o do trigo", finaliza Pierdoná.A Região Noroeste tem tradicionalmente tem uma das maiores áreas semeadas com o grão. Alcione Copetti, produtor em Giruá, semeou 40 hectares com o principal grão semeado no inverno gaúcho. "É muito importante a questão do plantio do trigo no inverno pela cobertura da área", destaca.

Mesmo com uma leve recuperação no preço pago pela saca de 60 kg, os produtores ainda esperam um aumento na cotação. Para o engenheiro Agrônomo da Emater Cláudio Reis, a valorização no mercado é fator determinante na hora de plantar o grão.

"A incerteza é muito grande, porém o agricultor opta por cultivar o trigo devido a essa cultura fazer parte do sistema de produção", pondera.

O ritmo das máquinas, que é intensificado no campo, movimenta também as cooperativas que vendem insumos. Em um estabelecimento de Santa Rosa, com unidades em outras 16 cidades da região, mais de 30 mil sacas de sementes já foram vendidas."A procura pela semente e pelos insumos está acontecendo. A gente tem a proporção do ano passado, o produtor continua na mesma linha, mas esse ano a gente está com a expectativa de ter um clima bom para o trigo", ressalta o engenheiro agrônomo Taciano Reginatto.

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