Artilheiro do Inter, Brenner é a esperança de gols contra o Oeste

O Inter está sob pressão. A partida contra o Oeste, às 21h45min dessa quarta-feira, no Beira-Rio, válida pela segunda fase da Copa do Brasil, será apenas o oitavo compromisso do time de Antônio Carlos Zago na temporada. E um revés, em jogo único pelo torneio, poderá interferir no restante do ano colorado. Para evitar surpresas e eliminar o cube paulista, o Inter conta com a boa fase de Brenner. O centroavante, contratado ao Juventude treinado por Antônio Carlos Zago no ano passado, é o artilheiro colorado em 2017, com quatro gols em três jogos.

Uma espera de 10 meses chegou ao fim quando Brenner marcou o gol da vitória do Inter sobre o Brasil-Pel, no primeiro dia de fevereiro, na estreia pela Primeira Liga. Contratado ao Juventude em abril do ano passado (cerca de R$ 2,5 milhões, por 60% dos direitos, enquanto que o Juventude manteve os demais 40% do jogador), Brenner demorou a ter condições de jogo porque desembarcou no Beira-Rio lesionado. Tinha uma tendionopatia (inflamação), no músculo adutor direito. Recuperado da lesão, passou mais um tempo de molho, aos cuidados da preparação física. Quando estava apto a estrear, a campanha do Inter no Brasileirão já havia se transformado em um pandemônio lomba abaixo na tabela de classificação. E Brenner perdeu a vez no elenco de Argel Fucks, de Paulo Roberto Falcão e de Celso Roth.

— Brenner chegou e ficou um período na fisioterapia. Depois, retreinamento. Como perdeu muito tempo neste período, fez um trabalho de readaptação aos esforços e reforço muscular. Mais para o fim do ano, ingressou no grupo e passou por dificuldades por conta também da instabilidade do time — lembra o coordenador de preparação física do Inter, Élio Caravetta. — Agora, fez toda a pré-temporada com o grupo e tem uma relação importante de confiança com o Carlos Pacheco (preparador físico), Zago e Galeano (todos ex-Juventude). Está confiante, o que vem favorecendo o desempenho. E ele não está no máximo que pode render, como todo o grupo também não está. Teoricamente, ainda tem o que progredir — projeta Carravetta.

Sem chances no time de cima — apesar de o ataque colorado ter sido um dos piores da temporada passada —, Brenner foi enviado ao CT de Alvorada. Lá, passou a integrar o elenco de Ricardo Colbachini, que disputava a Copa RS com a equipe sub-23, no segundo semestre.

— Ele se destaca muito no trabalho de pivô. Trabalhamos juntos no Juventude, quando fomos campeões gaúchos sub-20, e ele fazia exatamente essa função de centroavante. No Inter sub-23, jogou na mesma posição e funcionou bem. Pelo que conhecemos dele, ainda tem muito o que mostrar. Se recuperou de uma lesão grave e ainda pode evoluir mais. A confiança depositada pelo Zago, tanto no Inter quanto no Juventude, tem sido fundamental para esta retomada — diz Colbachini.

Logo que chegou ao Inter, Brenner avisou:

— Me vejo como centroavante. O 9 mesmo, de área, que faz gol de rebote.

Cria do Juventude, onde chegou do Mato Grosso, aos 15 anos de idade, Brenner teve a sua primeira grande chance no time de 2013, treinado por Lisca. O ex-técnico do Inter recorda que, com 19 anos, o centroavante foi decisivo para o acesso do clube de Caxias à Série C.

— Brenner é um centroavante frio e técnico. Ele não se abala com pressão. Em 2013, era o reserva de Zulu no Juventude. Precisávamos ganhar do Londrina para conseguir o acesso à Série C. Mandei Brenner a campo, ao lado do Zulu. Aos 46 minutos do segundo tempo, ele entrou na área e, em vez de bater a gol, rolou a bola para trás, onde estava o Zulu, que fez o 3 a 1 e nos deu a vaga — recorda Lisca.

Apesar do orgulho de ter lançado o centroavante no Juventude, Lisca não conseguiu contar com Brenner nos três jogos em que comandou um Inter já em desespero na temporada passada.

— Quando cheguei, ele estava com problema no púbis. Estava no departamento médico. Brenner é centroavante, o cara de área, que joga de bico a bico da área. E ele pode casar bem com o Pottker, só precisa ganhar um pouco mais de força e de rodagem — analisa Lisca.

Os gols de Brenner, o 9 que veste a camisa 38, parecem mais fundamentais do que nunca nesse momento de insistente instabilidade do Inter. 

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