Blitz do TCU em 130 escolas acha falhas no uso da verba de R$ 608 milhões para merenda em 10 estados.

Apesar de haver um programa nacional para garantir a qualidade da merenda oferecida nas escolas públicas, uma auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU) aponta falhas na gestão de uma verba de R$ 608 milhões em 10 estados fiscalizados. Em escolas de alguns estados, como Mato Grosso, Pernambuco, Piauí e Rondônia, os fiscais não encontraram nem mesmo cozinhas com as condições de higiene ideais.

A auditoria do TCU, feita no segundo semestre do ano passado e divulgada neste mês, teve como alvo a gestão de recursos destinados ao Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) nos estados do Amapá, Amazonas, Bahia, Mato Grosso, Minas Gerais, Paraná, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Sul e Rondônia, no segundo semestre de 2017.

Os estados receberam o montante de R$ 608 milhões do governo federal para o exercício de 2016 e parte de 2017. O relatório do Tribunal não tratou de apontar valor de possíveis desvios ou prejuízos na gestão da verba, mas detalhou quais as irregularidades precisam ser resolvidas, sob pena de multa.

O relatório divulgado pelo TCU mostra que as irregularidades mais frequentes e graves eram:

 

  • Número de nutricionistas insuficiente em relação à quantidade de alunos atendidos;
  • Refeições servidas não estavam previstas no cardápio;
  • Cardápio não estava de acordo com as exigências legais;
  • Não aplicação de, no mínimo, 30% de total de recursos para a compra direta de produtos da agricultura familiar.

 

Para fazer a auditoria, o TCU visitou 130 escolas e avaliou 3.881 questionários respondidos por 13.471 escolas nos dez estados.

O repasse da verba do programa é feito, aos estados e municípios, de acordo com a etapa de ensino e o número de alunos declarados no censo escolar. No exercício de 2016 foram destinados, segundo o relatório, R$ 3,4 bilhões para atender 40 milhões de alunos.

O Tribunal determinou que o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) adote medidas para coibir as ocorrências identificadas. Em 60 dias, o TCU reinicia as fiscalizações nesses locais para verificar se as irregularidades foram sanadas. Quando não há cumprimento das determinações, o Tribunal pode aplicar multas.

RIO GRANDE DO SUL

 

As irregularidades apontadas pelo relatório foram:

 

  • Número de nutricionistas incompatível com a quantidade de alunos
  • Ausência de justificativas para a não utilização do percentual mínimo de 30% do total dos recursos financeiros repassados pelo FNDE na aquisição de gêneros alimentícios de agricultura familiar;
  • Não utilização das fichas técnicas de preparo em escolas visitadas.

 

Em nota, a Secretaria Estadual de Educação (Seduc) informou que possui duas nutricionistas e 17 técnicos em nutrição que atuam no programa da merenda escolar. Até 2015, segundo a secretaria, não havia nenhum técnico realizando o serviço.

Sobre o percentual dos recursos destinados a compra de itens da agricultura familiar, a Seduc disse que subiu de 25% para 28% em 2017, mas como a aquisição é feita de pequenos produtores rurais há dificuldade de comprar determinados produtos.

Em relação às fichas técnicas, a secretaria informou que elas estão disponíveis às escolas no portal da Secretaria da Educação.

Fonte: G1 RS 

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