A informação de que o governo autorizou o uso das Forças Armadas para reforçar a segurança na Esplanada dos Ministérios gerou tumulto nesta quarta-feira (24) no plenário da Câmara dos Deputados. Houve bate-boca e empurra-empurra entre parlamentares governistas e oposicionistas.
A sessão foi suspensa, retomada e novamente paralisada. Uma reunião emergencial de líderes partidários está sendo realizada com o presidente da Casa, Rodrigo Maia (DEM-RJ), para debater a situação política no país.
A decisão do Planalto foi tomada a pedido de Maia, após o acirramento do confronto entre a PM e os manifestantes. Os prédios dos ministérios foram evacuados e houve princípio de incêndio no da Agricultura.
Ao informar sobre a decisão, o ministro da Defesa, Raul Jungmann, disse que a medida foi necessária porque a marcha Ocupa Brasília, "prevista como pacífica, degringolou para a violência, desrespeito, ameaça às pessoas".
Segundo a assessoria de imprensa do Ministério da Defesa, a atuação das Forças Armadas se restringirá à área dos prédios dos ministérios e palácios e não incluirá o gramado da Esplanada. Ainda não há um efetivo confirmado.
Lei e Ordem
A Garantira de Lei e da Ordem, conhecida como GLO, é regulada pela Constituição Federal, em seu Artigo 142, pela Lei Complementar 97, de 1999, e pelo Decreto 3897, de 2001. As operações de GLO concedem provisoriamente aos militares a faculdade de atuar com poder de polícia até o restabelecimento da normalidade.
Em medidas semelhantes, as Forças Armadas foram convocadas para garantir a segurança em grandes eventos como a Copa das Confederações, em 2013, quando houve uma série de protestos no país, e os Jogos Olímpicos e Paralímpicos, no Rio de Janeiro. Também atuaram em situações extremas, como durante a greve de policiais no Espírito Santo.
Desde o início da tarde, manifestantes protestavam na Esplanada contra as reformas, pedem a saída de Temer e eleições diretas no país. O ato foi convocada por centrais sindicais.