Foi instalada nesta quinta-feira (9), na Câmara dos Deputados, a comissão especial que irá discutir a proposta de reforma da Previdência, encaminhada pelo presidente Michel Temer. Apoiado pela base governista, o deputado Carlos Marun (PMDB-MS) foi eleito presidente da comissão. O parlamentar é um dos principais apoiadores do ex-presidente da Casa Eduardo Cunha (PMDB-RJ), cassado no ano passado. A previsão de Marun é finalizar a discussão até abril, e depois encaminhar o texto a plenário. O calendário foi elaborado em consonância com o Palácio do Planalto, que tem o tema como prioridade. Parlamentares de oposição entendem, contudo, que o prazo é muito exíguo, e garantem que tentarão prorrogar o debate. Depois de acordo entre os partidos, ficou definido que o relator da matéria será o deputado Arthur Oliveira Maia (PPS-BA). Ele adiantou nesta quinta que apresentará seu plano de trabalho na semana que vem. Em sintonia com o Planalto, quer finalizar seu parecer até o fim de março, e garante que a meta é “inflexível”.
Tumulto e bate-boca
Os primeiros minutos da sessão, antes da eleição do presidente da comissão, foram marcados por tumulto e bate-boca. Os deputados divergiram sobre a forma como cada candidatura seria discutida. Além de Marun, concorreram Pepe Vargas (PT-RS) e Major Olimpo (SD-SP).
Composta por 37 membros titulares e 37 suplentes, a comissão terá entre 10 e 40 sessões para discutir as mudanças na Previdência. Marun acredita que não será necessário utilizar o número máximo de reuniões, mas garante que haverá espaço para ouvir representantes de “todos os lados” da discussão.
“É um período de turbulência, mas o que a gente pretende oferecer é que policiais, entidades representativas se manifestem aqui na comissão. Coisas como aquela de ontem (manifestações em Brasília) são desnecessárias e improducentes”, disse Marun, quando questionado sobre os atos populares contra alterações na Previdência.
Integrante da comissão, Alessandro Molon (Rede-RJ) defende um debate mais profundo. Para ele, é necessário incluir a população, mostrar exemplos de reformas de outros países.” Todo mundo faz cálculos e planos para o dia em que vai se aposentar. Quando os brasileiros e as brasileiras entenderem que, se isso passar, vão ter que trabalhar até a morte, vai ter muita resistência”, opinou Molon.
GAÚCHA
voltar