Cidades do RS registram fila de espera por leitos de UTI; ‘Caos total’, diz presidente de hospital

Com ocupação de 87% nos leitos de terapia intensiva (UTIs), muitos centros de saúde do Rio Grande do Sul estão superlotados ou apresentam fila de espera para o atendimento de pacientes críticos.

Dois pacientes que aguardavam transferência morreram, nesta terça-feira (8), em Santa Maria, na Região Central. Os óbitos foram na unidade de pronto atendimento (UPA) do município, que totaliza seis pessoas esperando vagas em hospitais. Até a segunda (7), a cidade já registrava 10 mortes de pessoas na fila de espera.

Segundo a administradora da UPA, Manuela Trevisan, nenhuma das vítimas tinha Covid. Um paciente tinha tuberculose e outro, pneumonia.

“Muitas vezes, a condição clínica já pré-existente do paciente acaba podendo ou não levar ao óbito. Não necessariamente por ainda não ter sido transferido. Mas a expectativa é grande que a gente consiga esse número máximo de pacientes [para transferência]”, disse.

A secretária estadual da Saúde lamentou os óbitos. De acordo com Arita Bergmann, muitas remoções não podem ser feitas em razão do estado de saúde do paciente.

“Em primeiro lugar, nós lamentamos os óbitos que tenham ocorrido. Mas essas pessoas estavam em atendimento, muitas vezes a questão da remoção não é só falta de vagas, tem outros fatores como as condições do paciente, para ir para fora da região, a indicação ou não dessa remoção”, explicou.

Em Tenente Portela, na Região Noroeste do RS, o Hospital Santo Antônio atende 24 pessoas em um espaço cuja capacidade é para 15 pacientes. A presidente da unidade, Mirna Braucks, diz que o cenário é de “caos total”.Em Passo Fundo, no Norte do estado, o Hospital São Vicente de Paulo está com os 40 leitos de UTI Covid ocupados. Outras 13 pessoas estão na fila de espera.

Na Serra, a cidade de Caxias do Sul contabiliza 31 pessoas aguardando uma vaga de UTI. A secretária da Saúde, Daniele Meneguzzi, acredita que a demora tenha influenciado o número de óbitos no município.

“O fato também de estarmos com todas as nossas UTIs lotadas, ocasionando uma demora pelo acesso ao leito por parte dos pacientes, contribui sim para que o número de óbitos e complicações acabem repercutindo no nosso município”, avaliou.

G1 RS

voltar
© Copyright 2019