Colheita de trigo supera expectativas, mas preço não agrada produtores

A colheita do trigo de 2016 no Rio Grande do Sul foi considerada excelente para a indústria e os produtores. O preço vendido, no entanto, não agrada e frustra os produtores.

A média da produção gaúcha superou o número esperado pela Emater. "Avaliação muito boa quando se fala em qualidade e produtividade", fala o agricultor Airton Becker.

O trigo, entretanto, vem perdendo prestígio no Rio Grande do Sul. A cada ano, um número menor de hectares é plantado. Em 2013, foram 1.059.232. Em 2016, caiu bastante, sendo de 766.864 hectares.

Um dos principais motivos é o preço da saca vendida. Hoje, ela vale menos de R$ 30 por 60kg. E existe o medo, por parte dos agricultores, de não conseguirem pagar o valor investido em tecnologia para a colheita."Temos um preço mínimo de R$ 38, só que hoje, no mercado da nossa região, os compradores estão pagando R$ 28. Então o produtor está bastante preocupado, porque, mesmo com essa boa produtividade, ele pode não conseguir pagar todos os investimentos que ele fez na lavoura", avalia Becker.

De acordo com o chefe da comissão de grãos da Farsul, Hamilton Jardim, afirma que a produção de trigo é muito instável, tanto em termos de área, quanto de clima e de preço final comercializado.

"O mundo deve colher aproximadamente 740 milhões de toneladas. No Brasil, se conseguirmos 6,2 milhões de toneladas, não dá 1% da produção mundial. E o Brasil, dentro do contexto de Mercosul, está muito preocupado com a retomada muito forte da Argentina no mercado. Consequentemente, estamos muito fragilizados nesse processo. Estamos com uma safra muito cara. Os produtores acreditaram muito nessa safra, investiram muito em tecnologia e, agora, por ocasião da colheita, os preços estão abaixo", diz.

O Rio Grande do Sul é o segundo maior produtor de trigo do Brasil. Em 2016, foram 1,6 milhão de toneladas colhidas.

G1 RS

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