Com camiseta da Chapecoense, Renato chora e homenageia vítimas de acidente aéreo

O retorno do Grêmio aos trabalhos após o pausa de um dia em decorrência do acidente aéreo com a Chapeconse foi marcado pelas homenagens ao time catarinense e pela comoção do técnico Renato Portaluppi. Vestindo uma camiseta do clube, o treinador foi às lágrimas durante a entrevista coletiva:

— Num momento desses, é muito difícil de falar. Eu peço desculpas porque ontem eu não tinha condições de falar. Hoje mesmo eu continuo abatido pela tragédia que aconteceu. Até porque aqui no Grêmio talvez eu seja a pessoa que mais tenha trabalhado com as pessoas que estavam na Chapecoense. Para mim, foi uma coisa muito ruim, muito triste. Eu imagino o sofrimento dessas famílias, meus sentimentos a elas. É uma maneira de homenagear o clube, a torcida e todas as pessoas que estavam no voo usar essa camiseta. Se o clube precisar de uma ajuda minha, tenho certeza que outras pessoas vão se colocar à disposição. As pessoas no Brasil e no mundo todo estão sofrendo. Essas pessoas sempre serão heróis. Uma maneira de a gente homenagear é conquistando a Copa do Brasil.

O adiamento da final da Copa do Brasil, que seria disputada nesta quarta-feira, para a próxima semana foi uma decisão acertada pela CBF, opinou o técnico.

— O sofrimento é grande, mas a vida segue. Eu não tenho o poder de tomar decisões. É difícil, mas acredito que a CBF tomou a decisão certa. É uma forma de a gente poder homenagear as famílias, a Chapecoense. Cada um procura homenagear da sua forma. Hoje nós não temos clube, não temos cor. Todo mundo é Chapecoense. Hoje estou nas cordas — disse.

Renato ainda falou de sua convivência com Mário Sérgio, comentarista da Fox Sports que morreu no acidente aéreo que vitimou a delegação da Chapecoense, e com Caio Junior, técnico do time que também estava no avião. Mário Sérgio jogou com Renato na conquista do Mundial do Grêmio, em 1983. Já Caio Junior foi campeão do Gauchão com o técnico gremista em 1985:

— O Mário Sérgio é uma pessoa muito especial, que veio para disputar uma partida do Grêmio, em Tóquio. Nós tínhamos um time muito jovem e ele nos passou toda sua experiência. E dentro de campo nos ajudou muito por aquele título — disse. — Me orgulho muito por ter jogado com Mário Sérgio, Caio Junior. Por isso falo que eles vão ser lembrados sempre como heróis. Tenho orgulho de dizer para essas pessoas que joguei e fui campeão com essas pessoas. 

Com o abalo psicológico dos jogadores pela tragédia com a Chapecoense, Renato Portaluppi projeta conversas para melhorar animicamente o grupo gremista antes da decisão da próxima quarta-feira, contra o Atlético-MG, na Arena.

— Estamos ansiosos porque o Grêmio está na decisão. Mas tenho trabalhado bem a cabeça dos jogadores. Não vamos mudar em nada. A única coisa que vou mudar é o trabalho psicológico que vou fazer com meu grupo para que a gente possa erguer a cabeça.

Gaucha

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