Contra Honduras, seleção olímpica fica entre a final e o Maracanazo

Uma vez mais o futebol brasileiro estará entre a consagração e o Maracanazo. Sim, o fantasma da Copa de 50, quando a Seleção Brasileira perdeu a final para o Uruguai, vive. E os hondurenhos de hoje querem ser a Celeste de mais de seis décadas atrás. Nesta quarta-feira, às 13h, no Maracanã, Brasil e Honduras decidirão a vaga à final olímpica. A medalha de ouro será disputada neste sábado, contra Nigéria ou Alemanha, no mesmo Maracanã.

O jornal El Heraldo, de Tegucigalpa, mancheteou na segunda-feira:

"Honduras prepara el Maracanazo ante Brasil".

Se os ousados hondurenhos já passaram por Argentina, Argélia e Coreia do Sul nos Jogos (perdendo apenas para Portugal, na fase de grupos), na prática, não há comparação possível entre a tradição das seleções de Brasil e de Honduras. Mesmo assim, para evitar surpresas, o técnico Rogério Micale já escaneou o adversário da semifinal. Todos os jogos da seleção centro-americana na Olimpíada foram analisados.

"Observamos os jogos de Honduras e há pontos a serem explorados" disse Micale, sem revelar a estratégia a ser utilizada. "O sonho de Honduras, de ganhar do Brasil, é igual ao nosso de ganhar o ouro" completou.

Ainda que falte grife ao futebol hondurenho, sobra experiência a seu treinador. O colombiano Jorge Luis Pinto, de 63 anos, é também o treinador da seleção principal do país. Foi ele quem comandou a surpreendente seleção da Costa Rica na Copa do Mundo de 2014. O técnico montou um sistema de jogo agressivo e, na ocasião, levou os caribenhos à classificação em primeiro lugar, em uma chave com Uruguai, Itália e Inglaterra (os dois últimos foram eliminados já nessa primeira fase).

Depois, o time de Jorge Luis Pinto eliminou a Grécia e só foi cair nas quartas de final para a Holanda, nos pênaltis. E é esse sistema que ele repetiu em Honduras. O treinador colombiano parece confiar nos fantasmas, assim como a torcida hondurenha.

"Tudo pode acontecer no futebol. Passou pela cabeça de algum brasileiro aquele 7 a 1 da Alemanha, no Mundial? Ou, mais atrás, alguém imaginou o Maracanazo em 1950?" questionou Jorge Luis Pinto.

Micale se mostra confiante na vaga à decisão. Entende que a equipe reagiu, após os dois fracos jogos de Brasília, que criou uma "casca" após as críticas, mas faz um alerta sobre o comportamento de torcedores, imprensa e dirigentes, em caso de vitória ou derrota olímpica.

"Essa mudança de humor é que nos atrapalha muito. Se ganhar, está tudo certo com o futebol brasileiro. Se perder, está tudo errado. É como contratar um engenheiro para fazer uma obra e, no meio da obra, pensar que está tudo errado, e desmanchar tudo. Se seguirmos assim, nunca teremos essa casa construída. O trabalho na Alemanha durou 12 anos para dar resultados."

Talvez Rogério Micale tenha razão. Mas, no momento, o que a torcida brasileira não deseja é ver o Maracanã se transformar de novo no Maracanazo.

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