Copom reduz taxa básica de juros pela primeira vez em quatro anos. Para 14% ao ano.

Como a maioria dos analistas previa, o Banco Central reduziu a taxa de juros Selic para 14% ao ano. Estava em 14,25%. Confira abaixo o comunicado completo da autoridade monetária.

A decisão unânime foi divulgada no fim da tarde desta quarta-feira. Foi a primeira redução em quatro anos. Os economistas acham que é o primeiro corte de vários, por haver espaço para queda.

A Selic é usada como mecanismo para controlar a inflação. Só que a variação dos preços dos alimentos tem permitido uma trégua da inflação. Além disso, há boas expectativas quanto a efetivas medidas de ajuste fiscal. E estes foram os dois pontos citados na última ata do Comitê de Política Monetária, como condições para flexibilizar a política monetária.

Há dois impactos mais rápidos nos consumidores. Uma das formas é pelas taxas de juros de empréstimos. O reflexo deve ser pequeno, segundo a Associação Nacional de Executivos de Finanças. Projeta reduções entre 0,26% até 1% nas seis linhas de crédito pesquisadas. Mas é um começo.

Outra situação é o rendimento de fundos de renda fixa. Os investimentos ficam mais atrativos com juros altos. Mas, como a taxa segue alta, as aplicações mantém sua competitividade em relação à poupança, por exemplo. O jogo só vira quando as taxas de administração superam 2%, alerta a Anefac.

Indiretamente, tem o impacto sobre o empresariado. O setor esperava redução de juros para ampliar a oferta de crédito no mercado, a juros menores, é claro.

Na semana que vem, o Banco Central divulga a ata com informações ainda mais detalhadas sobre a reunião desta semana. Esta é a penúltima reunião do ano.

Comunicado divulgado pelo Copom:

“O cenário básico do Copom pode ser resumido pelas seguintes observações:
O conjunto dos indicadores divulgados desde a última reunião do Copom sugere atividade econômica um pouco abaixo do esperado no curto prazo, provavelmente em virtude de oscilações que normalmente ocorrem no atual estágio do ciclo econômico. A evidência disponível é compatível com estabilização recente da economia brasileira e possível retomada gradual da atividade econômica. A economia segue operando com alto nível de ociosidade;
No âmbito externo, o cenário ainda apresenta interregno benigno para economias emergentes. No entanto, as incertezas sobre o crescimento da economia global e, especialmente, sobre a normalização das condições monetárias nos EUA persistem;
A inflação recente mostrou-se mais favorável que o esperado, em parte em decorrência da reversão da alta de preços de alimentos;
As expectativas de inflação apuradas pela pesquisa Focus para 2017 recuaram para em torno de 5,0% desde o último Copom e do Relatório de Inflação (RI) do terceiro trimestre, e seguem acima da meta para a inflação, de 4,5%. As expectativas para 2018 e horizontes mais distantes já se encontram em torno desse patamar; e
As projeções do Copom para a inflação de 2016 nos cenários de referência e mercado recuaram desde a divulgação do último RI e encontram-se em torno de 7,0%. No horizonte relevante para a condução da política monetária, o comportamento das projeções em relação ao RI mais recente variou conforme o cenário. No cenário de referência, a projeção para 2017 recuou para aproximadamente 4,3%, enquanto que a projeção para 2018 encontra-se em torno de 3,9%. No cenário de mercado, a projeção para 2017 manteve-se praticamente inalterada em torno de 4,9% e a projeção para 2018 aumentou para aproximadamente 4,7% – ambas acima da meta para a inflação para esses dois anos-calendário, de 4,5%.
O Comitê identifica os seguintes riscos domésticos para o cenário básico para a inflação:
Por um lado, (i) o processo de aprovação e implementação dos ajustes necessários na economia é longo e envolve incertezas; (ii) o período prolongado com inflação alta e com expectativas acima da meta ainda pode reforçar mecanismos inerciais e retardar o processo de desinflação; (iii) há sinais de pausa recente no processo de desinflação dos componentes do IPCA mais sensíveis ao ciclo econômico e à política monetária, o que pode sinalizar convergência mais lenta da inflação à meta; e
Por outro lado, (iv) a inflação mostrou-se mais favorável no curto prazo, o que pode sinalizar menor persistência no processo inflacionário; (v) o nível de ociosidade na economia pode produzir desinflação mais rápida do que a refletida nas projeções do Copom; (vi) os primeiros passos no processo de ajustes necessários na economia foram positivos, o que pode sinalizar aprovação e implementação mais céleres que o antecipado.
Considerando o cenário básico, o balanço de riscos e o amplo conjunto de informações disponíveis, o Copom decidiu, por unanimidade, pela redução da taxa básica de juros para 14,00% a.a., sem viés. O Comitê entende que a convergência da inflação para a meta para 2017 e 2018 é compatível com uma flexibilização moderada e gradual das condições monetárias. O Comitê avaliará o ritmo e a magnitude da flexibilização monetária ao longo do tempo, de modo a garantir a convergência da inflação para a meta de 4,5%.
A magnitude da flexibilização monetária e uma possível intensificação do seu ritmo dependerão de evolução favorável de fatores que permitam maior confiança no alcance das metas para a inflação no horizonte relevante para a condução da política monetária, que inclui os anos-calendário de 2017 e 2018. O Comitê destaca os seguintes fatores domésticos: (i) que os componentes do IPCA mais sensíveis à política monetária e à atividade econômica retomem claramente uma trajetória de desinflação em velocidade adequada; e (ii) que o ritmo de aprovação e implementação dos ajustes necessários na economia contribuam para uma dinâmica inflacionária compatível com a convergência da inflação para a meta. O Comitê avaliará a evolução da combinação desses fatores.”

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