Crise já levou sete prefeitos gaúchos a doar ou cortar o próprio salário

O prefeito de Alvorada, Professor Serginho, que anunciou nesta semana ter cortado em 20% o próprio salário e do vice, e reduzido em 10% os vencimentos dos secretários, não foi o único a adotar medidas de contenção semelhantes. Em 2015, os municípios gaúchos deixarão de receber R$ 776 milhões. Segundo a Federação das Associações de Municípios do Rio Grande do Sul (Famurs), o déficit é provocado pela queda nos repasses do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) e na arrecadação do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS).



Em Campestre da Serra, neste mês, a prefeita, vice-prefeito, secretários e 25 funcionários em cargos de confiança terão corte de 20% nos salários. Conforme a chefe do Executivo, Marta Goeltzer, essa é uma medida para evitar o corte de salários dos servidores. “O pessoal fala em cortar CCs, mas precisamos deles. Então chegamos a um bom senso. Em dezembro, corte vai ser de 50%”, adiantou. O déficit do caixa da Prefeitura vai ser analisado na próxima sexta. As diárias também tiveram redução.



No Vale do Rio Pardo, o prefeito de Santa Cruz do Sul, Telmo Kirst, abriu mão de receber salário ainda o início do mandato. Desde setembro, todos os 13 secretários passaram a doar R$ 3 mil do próprio salário aos cofres públicos. A previsão é arrecadar R$ 624 mil até o fim do ano.



Em Cruzeiro do Sul, no Vale do Taquari, o prefeito Cesar Marmitt, começou a devolver 20% do salário aos cofres públicos e recomendou a mesma atitude aos oito secretários que compõem o primeiro escalão do governo municipal. Segundo ele, a intenção é manter o orçamento equilibrado e economizar mais de R$ 45 mil nos próximos quatro meses.



A mesma medida foi utilizada em Caibaté, na região das Missões, onde o prefeito e os secretários municipais estão doando 10% do salário para o caixa da Prefeitura até o fim do ano. Em Tupanciretã, os vencimentos do Executivo foram cortados em 5%. “Também estamos cortando CCs, suspendemos cursos e reduzimos diárias”, ressaltou o prefeito Carlos Augusto de Souza. A economia mensal é estimada em R$ 150 mil, até o fim de dezembro.



Impasse em Uruguaiana



Em Uruguaiana, na Fronteira Oeste, o prefeito Luiz Augusto Schneider, enviou proposta à Câmara de Vereadores com objetivo de reduzir em 30% o próprio salário, o da vice-prefeita e o dos vereadores. A matéria não foi analisada pelo Legislativo. “Doei 30% da minha folha em setembro e vou doar no próximo mês, mas os vereadores não se conscientizaram da situação financeira”. 



Entre os 240 cargos de confiança em Uruguaiana, 80 já foram exonerados. O déficit mensal é de R$ 3 milhões. Além da crise financeira, há ações trabalhistas com sequestro de valores pelo Judiciário.

 
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