DEM, PP e PSD aumentam número de vereadores no Brasil; MDB, PT, PSDB, PDT e PSB registram redução

O resultado da eleição para as Câmaras municipais de todo o Brasil mostra uma mudança na composição de forças entre os partidos. Entre as 30 legendas consideradas no comparativo com a última disputa, 21 apresentaram queda no número de vereadores eleitos.

As reduções, no entanto, não foram uniformes. Enquanto partidos grandes como MDB, PT, PSDB, PSB e PDT registraram queda, outras legendas tiveram desempenho positivo, caso de DEM, PP, PSD, PL e Republicanos. Um terceiro grupo composto por partidos menores registra uma queda acentuada no número de representantes eleitos nas Câmaras.

Apesar de apresentar redução de 3% no número de vereadores, o MDB manteve a liderança no país, com mais de 7,3 mil representantes eleitos. Houve mudanças, contudo, nas posições seguintes. O PSDB, que terminou a eleição de 2016 em segundo lugar com a maior bancada de vereadores, desta vez ocupa a quarta colocação, com queda de 18%.

A segunda colocação dos partidos com mais vereadores agora é do PP, com 6,3 mil eleitos. A legenda registrou aumento de 34% no comparativo com 2016, quando estava na terceira posição. Já a terceira colocação agora é do PSD, com 5,6 mil vereadores. Em 2016, o partido ocupava a quarta posição em número de vereadores.

Vereadores eleitos por partido no Brasil — Foto: Amanda Paes/G1

Vereadores eleitos por partido no Brasil — Foto: Amanda Paes/G1

No grupo dos grandes partidos, além do PSDB e do MDB, PT (-5%), PDT (-9%) e PSB (-17%) também apresentaram queda no total de vereadores. Já o DEM cresceu em 49% e ocupa agora a quinta posição com a maior bancada de vereadores. O PSL, partido pelo qual o presidente Jair Bolsonaro foi eleito, também apresentou crescimento. Passou de 878 vereadores em 2016 para 1,2 mil, aumento de 37%.

Quedas também nos partidos pequenos

 

Esta foi a primeira eleição municipal após o fim da coligação proporcional aprovada na Emenda Constitucional de 2017. A nova regra proibiu, a partir de 2020, a possibilidade de os partidos fazerem coligações com outras legendas nas disputas para os cargos de vereador, deputado federal e estadual.

Com o fim das coligações proporcionais, os votos recebidos por um candidato só podem ser somados para eleger vereadores do próprio partido. No modelo que vigorava até então, os votos dos eleitores para um candidato de um partido podiam ajudar a eleger outro de uma segunda legenda que fizesse parte da coligação.

Para fazer os comparativos, o G1 considerou em 2016 as incorporações feitas pelas legendas. Alguns apenas trocaram de nome, como o PPS, que passou a ser Cidadania. Outros, porém, são resultado da união com outras legendas, caso do Podemos, que reuniu o antigo PTN e o PHS.

A maior queda proporcional entre os 21 partidos analisados ocorreu entre partidos que já eram pequenos, caso de PMB (79%), DC (-71%), PMN (-62%) e PTC (-62%). Já o maior aumento proporcional no total de vereadores eleitos foi do Novo (625%), apesar de ter agora apenas 29 vereadores. O Avante, antigo PT do B, apresentou a segunda maior variação proporcional: 116%.

Efeitos do fim das coligações

 

Na avaliação do professor de ciência política e coordenador do Laboratório de Partidos e Sistemas Partidários na Universidade Federal do Paraná (UFPR) Bruno Bolognesi, os dados indicam algumas características, sobretudo a redução do tamanho das grandes legendas e o aumento das legendas médias.

Segundo o professor, o fim das coligações nas proporcionais tinha o objetivo de reduzir a fragmentação partidária no Brasil, mas, na avaliação de Bolognesi, é preciso ter cautela por conta dos outros efeitos que ela também estimulou, como o lançamento de mais candidaturas de prefeitos com o objetivo de puxar votos para cargos proporcionais. Outro incentivo do sistema, segundo ele, foi o fim do coeficiente para a definição das “sobras”, ou seja, para o preenchimento das vagas que sobram após os cálculos dos votos obtidos pelos partidos.

“Tivemos muitas candidaturas no majoritário que puxaram a fragmentação por baixo. Todo mundo quis ter a sua própria lista. Desse forma, o sistema funcionou como antes, quando havia as coligações. Tivemos cidades em que houve aumento de partidos efetivos na Câmaras, como Goiânia e Belém. Então é um paradoxo. Tivemos mais partidos com menos candidatos, mas mais partidos competindo pelo voto. E isso ajudou a não reduzir a fragmentação na proporção que se esperava.”

Com relação ao aumento dos partidos médios, o professor destaca que essa é uma tendência já observada nas eleições federais. Segundo Bolognesi, a Câmara dos Deputados vem aumentando a fragmentação nos últimos anos e isso tem ocorrido com o aumento dos partidos médios.

“Você tem dois modos de fragmentar. Ou você tem dois ou três partidos grandes e um monte de pequenos, ou você tem um monte de partidos médios. No Brasil, temos visto esse fenômeno justamente com esse segundo mecanismo, que é não apenas ter partido novo, é desidratar partido médio. Os partidos médios vêm ganhando força no Brasil. PSD, DEM, PSD e Republicanos vêm crescendo nos últimos anos. E os partidos grandes vêm desidratando desde 2014.”

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