Em 15 dias, produtores contratam R$ 10 bilhões do Plano Safra 2021/22

O Plano Safra 2021/22 está em funcionamento há apenas 15 dias, mas, de acordo com o diretor de crédito e informação do ministério da Agricultura, Wilson Vaz de Araújo, R$ 10 bilhões já foram contratados. Em audiência na Câmara dos Deputados, membros do governo ainda anunciaram que o crédito agrícola deve passar por melhorias nos próximos meses.

De acordo com o diretor de crédito do Mapa, o apetite por crédito neste início de safra impressionou o ministério.

“Em nenhum momento nesse curto espaço de tempo, tivemos financiamentos do Plano Safra nessa magnitude de R$ 10 bilhões e, em paralelo os recursos privados também vão fluindo. Seja recursos captados das LCAs, de caderneta de poupança rural, de tesouraria dos agentes financeiros, de depósitos à vista que podem ser aplicados. O ambiente está bom”, destaca Vaz de Araújo.

O diretor do Mapa voltou a afirmar que o ministério pretende ajustar a demanda do setor de proteína animal, se referindo sobre a restrição de acesso ao crédito por conta do impedimento de uso da linha Moderagro.

“A gente acabou deixando escapar aqueles que conseguiam pegar nos dois programas pela necessidade do seu investimento para completar. Com isso ele ficaria com o limite um pouco reduzido. Então até o teto para o programa ficaria reduzido. Estamos trabalhando para ajustar estes limites uma certa forma que não comprometa o teto de recursos que nós temos”, afirma.

Ao falar sobre melhorias no Plano Safra, o subsecretário de política agrícola do ministério da Economia, Rogério Boueri, anunciou que o governo prepara uma medida provisória para ampliar o uso de garantias no financiamento rural.

“A nossa preocupação maior é trabalhar num melhor aproveitamento das garantias, para que as instituições financeiras possam se sentir confortáveis em fazer esse crédito para o produtor rural”, ressalta Boueri.

Recursos do Plano Safra para fintechs

Outra melhoria que pode ser implementada ainda neste plano safra é a possibilidade de fintechs terem acesso a recursos obrigatórios do crédito rural para que este capital seja melhor ofertado aos agricultores familiares.

Atualmente, 25% dos recursos que os bancos obtêm com depósitos à vista deve ser separado para aplicação no crédito rural, a chamada exigibilidade. deste total, 22% precisam obrigatoriamente ser aplicados a agricultores familiares. Trata-se da subexigibilidade.

Mas, como nem todos os bancos do mercado destinam estes recursos na ponta, direto ao agricultor, eles fazem negócios com as instituições que ofertam o crédito ao agricultor familiar.

A proposta do ministério seria que os bancos não envolvidos no crédito rural lançassem os créditos em fundos de investimento, como os fiagros, para que as fintechs conseguissem obter estes recursos.

“As instituições financeiras vão ter um novo canal para desaguar as suas exigibilidades. Muitas vezes é difícil e elas fazem pressão no Banco Central para sair do crédito rural e aumentar o limite de patrimônio líquido. Dessa forma a gente dá um acesso para elas poderem facilitar a atuação delas no crédito rural. O mais importante é que nós estamos desenhando esse sistema não é para agradar banco ou fintech, e sim para que recurso chegue na agricultura familiar, com mais capilaridade, concorrência e mais facilidade”, finaliza.

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