Estado investiga possível primeira morte por dengue em 2016

Uma mulher de 64 anos, moradora de Panambi, no noroeste do Estado, pode ter sido a primeira vítima de dengue em 2016. Ela sentiu sintomas semelhantes aos da doença no dia 26 de janeiro e, 13 dias depois, morreu no hospital de Vacaria. A Secretaria Estadual de Saúde, no entanto, aguarda exames laboratoriais para confirmar a causa da morte. Em todo o ano passado, duas pessoas morreram no Rio Grande do Sul por causa de dengue. 

 A suspeita sobre a morte da moradora de Panambi, que não havia viajado, ilustra um dado alarmante para as autoridades gaúchas: o número de casosautóctones (contraídos no Estado) de dengue saltou de três para 15 na última semana. A informação foi divulgada em coletiva de imprensa nesta sexta-feira. 

— Constatamos que segue a tendência de aumento de casos e nossa preocupação cresce na mesma medida — salientou o secretário estadual de Saúde, João Gabbardo. — Até termos a vacina, que pode demorar três anos, precisamos do apoio de todos para combater o mosquito. No total, já são 701 casos notificados da doença, em 180 cidades gaúchas, e 58 casos confirmados. O município com maior número de confirmações é Porto Alegre, com 18 (o que representa 31% do total). A prefeitura divulgou dois novos casos autóctones de dengue. As vítimas são pai e filho e moram no Vila Nova, o mesmo bairro onde os outros três casos autóctones haviam sido confirmados anteriormente. Por conta disso, a região foi bloqueada e agentes reiniciaram uma ação de combate na Zona Sul. 

Um cálculo feito pelo governo estadual mostra que, proporcionalmente ao número de habitantes, Selbach é o município com maior taxa de notificações de casos de dengue — com 214,2 por 100 mil habitantes. As demais cidades com média preocupante também se encontram no noroeste gaúcho. 

O boletim divulgado nesta sexta-feira tem dados positivos. Não houve nova confirmação de zika vírus no Rio Grande do Sul. Das 47 notificações, nova foram descartadas e continua havendo apenas uma confirmação, divulgada na semana. Trata-se de uma moradora do bairro Jardim Carvalho, na Capital, não gestante, que contraiu a doença em viagem a Marcelândia, no Mato Grosso, no início deste ano. Os casos de febre chikungunya têm redução em comparação a 2015. De 78 notificações, a secretaria regirou 48 no mesmo período deste ano.

Mobilização nacional intensificada no RS

O número de casos de dengue no país aumentou 48% em 2016, conforme o Ministério da Saúde. Desde janeiro, já são mais de 73,8 mil casos, contra 49,8 mil no ano passado. Já os óbitos diminuíram: são quatro mortes em 2016, sendo 50 no mesmo período do ano passado. Uma das maiores tentativas de frear o avanço do Aedes aegypti no país ocorre neste sábado, dia 13, chamado de Dia D.

A força-tarefa nacional será maior no Estado por iniciativa do próprio governo. As autoridades gaúchas não vão se mobilizar apenas nos municípios selecionados e que contam com bases do Exército. No RS, a ação, que inclui orientações aos moradores e destruição de focos do mosquito, ocorrerá nas 497 cidades, com objetivo de tornar mais abrangente o combate ao mosquito. 

Exército fará ação contra o Aedes em 32 municípios do Rio Grande do Sul

Em Porto Alegre, 47 mil casas devem ser visitadas em 11 bairros diferentes, com a ajuda de 1.550 militares do Exército. De acordo com o secretário municipal de Saúde, Fernando Ritter, as residências onde não houver morador ou em que o dono se recusar a receber os agentes serão notificadas. Caso a entrada continue sendo impedida, seguindo o decreto da presidente Dilma Rousseff, o local deverá ser invadido nas próximas semanas. 

— (Os agentes) Não têm que ter medo se perceber o risco, tem que entrar e fazer. É uma ação para salvar vidas — salientou o governador José Ivo Sartori.

Conforme Ritter, embora as pessoas costumem se preocupar com terrenos baldios, é nas residências que está focado o trabalho dos agentes de saúde. 

— 80% das infestações ocorrem em casas. Por quê? Porque mosquito gosta de gente, precisa de sangue para viver — afirma o secretário. 

DENUNCIE

Denúncias de focos de proliferação do mosquito podem ser feitas pelo aplicativo RS Contra Aedes (inclusive com possibilidade de enviar foto e marcar o local com GPS), telefone 0800-645-3308 ou WhatsApp e Telegram: (51) 9184-7821. 

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