Ex-empregada relata ambiente ruim entre pais de Bernardo

A Polícia Civil já ouviu a empregada doméstica Nelci de Almeida e Silva, 37 anos, que trabalhava na casa de Leandro Boldrini na época que Odilaine Uglione morreu, em fevereiro de 2010. O depoimento foi colhido na metade de julho deste ano em Hulha Negra, na região da Campanha, onde ela reside agora. Ela contou aos agentes que horas após a morte da patroa, viu que Leandro abriu um cofre na residência da família, onde estava guardado uma arma, sem saber especificar o modelo. Ele preparava as malas para ir para a casa dos pais, quando avistou o armamento. “O Leandro tirou dinheiro dali para que eu pagasse as despesas da casa.”



Nelci trabalhou por um 1 ano e 4 meses na residência e disse que saiu do emprego quatro meses após a morte de Odilaine, em junho. “Eu pedi para sair, não conseguia conviver com a Graciele. Eles falavam mal dela (de Odilaine) e eu não aceitava. Também não deixavam o menino tocar no nome da mãe.” Ela também ficou desgostosa pelo fato de ter sido retirada de função de babá de Bernando. “A Graciele falava que eu mimava demais ele.” Após a morte da patroa, Nelci contou que o ambiente da casa mudou. “Ficou um vazio. Ela era muito divertida, nunca foi uma patroa. Era amiga, compreensiva, ajudava o próximo. Parecia uma pessoa carente. Eu me sentia parte da família”, relata.



A morte de Odilaine foi antecedida por uma discussão entre o casal, após Leandro pedir o divórcio, que seria assinado um dia depois, explica a ex-empregada. “Eles discutiram bastante no horário do almoço. O Leandro tinha que sair às 13 horas, mas antes de ir embora disse para mim prestar atenção nos meninos (um amigo de Bernardo tinha ido visitá-lo).” Ainda segundo a empregada, Leandro deu um recado para Nelci. “Se acontecesse uma tragédia era para ligar para o 191 ou 193, pois ele estava cansado de chantagem.”



A empregada aguardou um pouco e subiu até o quarto de Odilaine. “Estava escuro e encontrei ela transtornada. Disse que ele tinha escolhido o que era bom para ele e que ela não queria mais viver. Eu disse: ‘Credo, hoje tem que pensar no Bernardo’. Depois me fez jurar que eu iria cuidar do Bernardo.”



Em seguida, Odilaine desceu do quarto e foi em uma padaria e voltou para casa, onde fez um lanche. Logo após, saiu novamente. Cerca de 15 minutos depois, veio a notícia que ela estava morta.

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