Falta de gás de cozinha no Rio Grande do Sul afeta revendas e pode elevar preço

Rendedoras de Gás Liquefeito de Petróleo (GLP) no Rio Grande do Sul têm registrado um racionamento nas vendas do gás de cozinha, devido à escassez do produto nas companhias que realizam a distribuição para todo o estado. A situação pode elevar o preço do botijão.

De acordo com o Sindicato dos Revendedores do estado, a chance de ampliação no racionamento não está descartada. As distribuidoras orientam revendedores a atenderem somente a demanda dos consumidores finais, ou seja, de residências e de instituições.

No entanto, a escassez pode impactar no preço médio do gás ao longo dos próximos meses, afetando os consumidores finais do produto. Segundo dados da Agência Nacional do Petróleo (ANP), o preço do GLP subiu de R$ 57,92 para R$ 59,40, no Rio Grande do Sul, o que representa um aumento de quase R$ 2 nas últimas quatro semanas. Em Porto Alegre, alguns pontos de venda registraram queda de 10% no total do estoque da mercadoria.

O revendedor Carlos Henrique dos Santos acredita que o racionamento possa atingir o consumidor. Na revenda em que ele trabalha, há apenas 35 botijões e a previsão é a de que o estoque dure até quarta-feira (28).

"Corre o risco de faltar para o consumidor, porque se faltar para mim, não faltou só para mim, faltou para todas as distribuidoras", explica.

A situação é precária em Cruz Alta, no Noroeste do estado. Sem previsão para reabastecimento nas revendas, motoristas têm se deslocado até Passo Fundo, no Norte gaúcho, para buscar gás.

"Os caminhões estão para carregar, mas estão na fina. Pode demorar dois, três dias para carregar", contou Fabiano Barassoul Ramos, gerente de uma revenda de gás da cidade.

Embora as distribuidoras autorizem o reabastecimento dos botijões, a demanda é maior do que as distribuidoras podem oferecer às revendas no estado.

Após cinco dias de espera, em Canoas, na região Metropolitada de Porto Alegre, um caminhão retornou da distribuidora com 500 botijões vazios. "Virou rotina. Muitas vezes, a gente vai com 300, 400 botijões, eles liberam 50, 100, e temos de nos virar com o produto que temos. Dura poucos dias", desabafou o revendedor Gilcemar Nicoletti Rodrigues.Como alternativa para a situação, algumas revendedoras têm buscado gás em distribuidoras do Paraná. Em nota, a Petrobras negou problemas e disse que as entregas de gás de cozinha em Canoas estão normais, cumprindo a cota mensal programada para entrega aos clientes.

"Isso até pode ser verdade, mas o gás liquefeito de petróleo, o gás de cozinha produzido pela Petrobras, é insuficiente para atender a demanda nacional. Tanto que essa dificuldade de abastecimento aos revendedores se encontra em todos os estados brasileiros", afirmou Ronaldo Tonet, presidente do Sindicato dos Revendedores de Gás do Rio Grande do Sul.

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