Leite Compensado 9: MP descobre leite azedo distribuído como próprio para consumo no Nordeste Gaúcho

Em mais uma fase da Operação Leite Compensado, a nona etapa desde início de 2013, o Ministério Público (MP) descobriu leite vencido e azedo sendo distribuído aos consumidores. A ação ocorreu na manhã desta quinta-feira (17) no Nordeste gaúcho, em Esmeralda, cidade distante 65 quilômetros de Vacaria.

Foram cumpridos quatro mandados de prisão e cinco de buscas, incluindo a apreensão de quatro caminhões. O Ministério da Agricultura vai dar sequência na investigação, ao rastrear quais as marcas comercializavam o produto vencido. Não se descarta o envio do leite para São Paulo e Espírito Santo, além da distribuição no Rio Grande do Sul.

Foram presos o proprietário da transportadora Márcio Fachinello ME e três motoristas da empresa – João Paulo Alves da Silva, Claudiomiro de Souza e Tiago da Luz Pereira, que confessou que o proprietário pedia para adicionar produtos no leite.

A nona edição também teve vistoria no município de Água Santa, no laticínio Unibom. Apesar de não ter sido encontrado indícios de participação da indústria e de não ter mandado de busca no local, os agentes foram até a empresa pelo fato dela receber o leite de uma distribuidora de Esmeralda.

Os presos suspeitos de coletar leite após quatro e até sete dias dos produtores, enquanto o normal seria no máximo dois dias. Como o produto vencido acaba deteriorando, ficando mais ácido e perdendo os nutrientes, os envolvidos na fraude colocavam bicarbonato de sódio para mascarar o problema na hora da análise físico-química. Depois disso, o produto seguia para a indústria e para o consumidor.

“O leite vencido ou azedo, que é mascarado para passar na análise, é o mesmo leite que a dona de casa vai ferver e, apesar de estar dentro da validade, começa a talhar”, diz o promotor de Defesa do Consumidor, Alcindo Bastos.

Também há suspeita de adição de água para aumentar o volume do leite. Eram recolhidos pela transportadora, investigada há quatro meses, entre 40 e 50 mil litros diários de leite em diversos municípios dos Campos de Cima da Serra. Na análise e quatro coletas houve resultado positivo de adulteração.

O promotor Mauro Rochemback, que participa da ação, diz que foram configurados crime organizado, prática comercial abusiva e adulteração de produto alimentício.

Transportadora
O proprietário da transportadora Márcio Fachinello ME, Márcio Fachinello, negou qualquer tipo de irregularidade no serviço.

“Eu nego a adulteração, mas se eles acharem alguma coisa, eu assumo tudo”, disse o proprietário

Consumidores

Segundo o promotor Alcindo Bastos, aumentou o número de reclamações por parte dos consumidores. Produtos com validade de quatro meses começam a estufar as embalagens com pouco mais de dois meses após a data de fabricação. Bastos destaca que esse é um sinal de grande quantidade de acidez e que leva o leite a azedar.

O promotor ainda destaca que é obrigação dos transportadores verificarem temperatura e acidez do produto antes mesmo de levar a um posto de resfriamento, que é o ponto intermediário entre produtor e indústrias. No entanto, para obter lucro maior ao buscar leite de mais produtores do que conseguem atender normalmente, alguns produtos passam do período normal da coleta e acabam deteriorando.

O Ministério da Agricultura, a Receita Estadual e a Brigada Militar também participam da 9ª etapa da Operação Leite Compensado.

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