Mais de 200 cidades do Rio Grande do Sul têm decretos de situação de emergência ou de calamidade pública devido à greve dos caminhoneiros, segundo aponta levantamento realizado pela Federação das Associações de Municípios do Rio Grande do Sul (Famurs). A entidade acrescentou que outros 106 municípios podem adotar as mesmas medidas caso o abastecimento não seja normalizado em breve.
Entre 380 prefeitos consultados, 73 decretaram calamidade pública e outros 131, emergência, totalizando 204 cidades. Os dados foram respondidos por gestores de 380 das 497 cidades do estado.
"A Famurs é contra o aumento abusivo dos combustíveis, por se tratarem do principal insumo dos municípios. Apoiamos a greve dos caminhoneiros, com base na posição da maioria dos prefeitos, entendendo serem legítimas suas reivindicações que foram atendidas pelo governo federal. Diante disso, solicitamos que os caminhoneiros possibilitem o reabastecimento nos municípios, para não termos uma situação de caos, que já se avizinha", afirma o presidente da entidade, Salmo Dias de Oliveira.
Segundo o presidente, os prefeitos estão preocupados com os efeitos da greve. Oliveira relata que o setor primário está sofrendo as maiores consequências. "O segmento leiteiro está sendo obrigado a descartar toda a sua produção. A criação de aves e suínos está ameaçada, pois os animais estão sofrendo com a fome, havendo casos de canibalismo por falta de ração", explica.
De acordo com o coordenador-geral da Famurs, Luciano Machado, os prefeitos informam que as maiores necessidades são o suprimento de insumos para hospitais e agricultura, ração para os animais e combustível para ambulâncias e serviços básicos.
A prefeitura de Caxias do Sul, na Serra gaúcha, é uma das cidades que decretou situação de emergência. A população está sem gasolina desde sexta-feira (25). O pouco combustível que chegou na noite de segunda-feira (28) está sendo utilizado para abastecer carros oficiais, da segurança pública e da área da saúde. Na tarde desta terça, um caminhão-tanque que estava retido no estacionamento de uma empresa pelos manifestantes foi liberado e levado para um posto. A notícia se espalhou e uma grande fila se formou.Em Pelotas, na Região Sul, por volta das 13h desta terça, os caminhões tanque foram para a cidade escoltados por Exército, Brigada Militar e Polícia Rodoviária Federal (PRF). Segundo o Sulpetro, sindicato que representa os postos de combustíveis no Rio Grande do Sul, cerca de 40% dos 115 estabelecimentos de Pelotas foram abastecidos nesta terça.
Em Uruguaiana, na Fronteira Oeste, a população sofre com o desabastecimento e quase 500 caminhões estão parados no Porto Seco. Em Bagé, na Campanha, motoristas amanheceram nas filas para abastecer, mas nenhum posto tinha combustível.
A assessoria jurídica da Famurs informou que o prefeito tem autonomia para optar pelo decreto de estado de calamidade pública ou de situação de emergência. A orientação da federação é que os gestores decretem calamidade pública, pois o cenário representa risco à vida dos habitantes do município e os prejuízos econômicos e sociais são grandes.
Com o decreto de calamidade pública, o prefeito pode deixar de prestar serviços não essenciais, atendendo apenas casos de urgência na saúde. A prefeitura também pode requisitar combustível para abastecer os carros oficiais, ambulâncias e viaturas da polícia.
Situação de emergência