Um estudo sobre o perfil da educação pública no Rio Grande do Sul mostrou que 380.366 crianças e adolescentes do estado estão fora da escola. Os dados foram divulgados nesta quinta-feira (2), pela Associação de Membros dos Tribunais de Contas do Brasil (Atricon) e o Instituto Rui Barbosa (IRB).
As crianças e jovens de 4 a 17 anos que estão sem estudar no estado representam 16,8% do total. Na média brasileira, a taxa é de 5,7%, abrangendo 2,4 milhões de brasileiros.
No recorte da educação infantil, o índice é ainda maior: 20,8% das crianças gaúchas, de 4 e 5 anos, não estão matriculadas na pré-escola. Desempenho bem pior a média brasileira, que é de 9,5%.
O estudo, chamado Perfil da Educação Pública no Rio Grande do Sul, identificou, entre outras informações, o gasto médio por município na educação infantil e ensino fundamental, além da infraestrutura das escolas.
Segundo Cezar Miola, conselheiro do Tribunal de Contas do Estado do Rio Grande do Sul (TCE-RS), além da falta de recursos disponíveis para a educação, outra questão impacta na realidade do estado: a destinação dos valores disponíveis. "Há também relação direta com gestão, com a qualidade do gasto público, como se gerencia essa verba assegurada pela constituição", diz.
A cidade com maior valor destinado em 2017 para a educação infantil no estado é Santa Tereza, na serra gaúcha. Foram R$ 34 mil por aluno, no município que tem 36 estudantes matriculados neste nível escolar.
Em outro extremo, está Viamão, na Região Metropolitana. Apontada como a cidade que menos investe em educação infantil, também é o município da lista com o maior número de crianças matriculadas: 4.380. São encaminhados R$ 520, por aluno, anualmente, conforme aponta o estudo do TCE.
O investimento médio por aluno da educação infantil gaúcha é de R$ 6.903,73, e o do ensino fundamental, R$ 9.728,47. O custo em países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico é de US$ 8,9 mil e US$ 8,7 mil, respectivamente, conforme o estudo.
As escolas de educação básica do RS estão acima da média nacional no quesito infraestrutura. Mesmo assim, alguns números chamam a atenção:
As informações apresentadas são um cruzamento de dados do Censo Escolar e do Sistema de Informações sobre Orçamentos Públicos em Educação (Siope).
g1 RS