Ministério Público Eleitoral recomenda cassação da chapa do prefeito reeleito de Santo Ângelo

O Ministério Público Eleitoral (MPE) recomendou à Justiça a cassação da chapa do prefeito reeleito de Santo Ângelo, Jacques Gonçalves Barbosa (PDT), por suspeita de compra de votos.

A Justiça Eleitoral já recebeu a denúncia, mas ainda não fez a análise. Caso seja aceita, um processo será instaurado.

Em troca de apoio político, seriam oferecidas vantagens como doação de cestas básicas ou retirada de multas aplicadas pelo município. O prefeito ainda não foi notificado da denúncia, segundo a assessoria da prefeitura.

A autorização para a venda de terreno para construir uma capela no cemitério municipal podia valer até 18 votos, segundo a investigação.

Uma mensagem revelando a negociação foi encontrada no celular apreendido durante operação do MPE. A denúncia partiu de uma eleitora, que não será identificada.

Segundo a delatora, os candidatos apareciam nos bairros da cidade para oferecer vantagens em troca de voto e da colocação de placas de campanha em frente às casas.

Ao cumprir mandados de busca na prefeitura, a promotoria colheu provas que reforçaram as suspeitas. No celular de uma funcionária, apreendido na investigação, foram encontradas mensagens que supostamente apontariam para a troca de votos por cestas básicas.

“Eles [políticos] relatavam que essas cestas básicas traziam da assistência social. Que elas [moradoras] ganhavam um bilhetinho de algum órgão relacionado à assistência social e eram beneficiados com a cesta básica. Em troca disso? Em troca da placa [do candidato] na casa e o voto”, afirma a delatora.

Nas buscas, a promotoria apreendeu uma planilha em que aparecem grupos de trabalho formados dentro da prefeitura para reeleger o prefeito e o vice, Volnei Teixeira (PDT). Até o gabinete de primeira-dama aparece na lista.

Segundo a autora da denúncia, a equipe da esposa do prefeito costumava deixar bilhetes nas casas dos eleitores para acertar a entrega das cestas básicas.

Outros itens teriam sido ofertados na compra de votos, segundo a promotoria: exames e consultas no SUS, televisão, vale-gás, pagamento de conta de luz e de multas da prefeitura. Todas as negociações seriam anotadas.

A promotoria também pede a cassação de um vereador e de três suplentes eleitos, entre eles, o atual presidente da Câmara, Pedro Silvestre Perkoski Waskiewicz (PSD).

À RBS TV, ele afirma que ainda não foi notificado. “Assim que eu estiver sabendo dessa denúncia, estarei provando no processo que não pratiquei nenhum tipo de ilegalidade e muito menos compra de votos”, diz.

g1 RS
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