No último discurso como presidente, Obama valoriza miscigenação

A dez dias de passar o poder para Donald Trump, Barack Obama, fez em Chicago seu último discurso como presidente dos Estados Unidos na madrugada desta quarta-feira (11), pelo horário brasileiro. Durante 54 minutos, Obama fez um balanço dos oito anos de seus dois mandatos à frente da Casa Branca e garantiu a intenção de ter uma transição pacífica com Trump. Muitas mensagens da fala se dedicaram à ideia de valorizar a miscigenação, respeitando todos os povos que compõem a população do país.

Barack Obama ressaltou o histórico de imigrantes que ajudaram no desenvolvimento dos Estados Unidos, apesar da desconfiança gerada pela vinda de povos como irlandeses, poloneses e italianos. O presidente disse que a mesma visão equivocada por parte da população existe hoje com muçulmanos e latinos. Além disso, citou mulheres, negros e a comunidade LGBT como alvos de preconceito em queda, mas ainda longe de ser extinto.

“Havia um discurso do fim do racismo nos últimos anos, mas esse ideal não foi concretizado na totalidade. Se cada assunto econômico for visto como uma luta entre uma classe média branca e uma minoria que não merece, trabalhadores vão brigar por migalhas enquanto os ricos vão estar cada vez mais nos lugares privilegiados. O que se pede não é tratamento especial, e sim tratamento igual. Temos de ter voz contra a discriminação para contratação, residência e no sistema prisional”, disse Obama.

Entre os legados de seu governo, Obama destacou que não houve atentados contra o território dos EUA vindos de fora do país. Ainda em relação ao combate a grupos terroristas, citou a morte de líderes como Osama Bin Laden dentro de um contexto de evolução no controle da espionagem e no fim da tortura.

Obama também valorizou a retomada do crescimento da renda e da aposentadoria, com queda do desemprego nos últimos dez anos. Outra conquista celebrada é na área da saúde, destacando que a quantidade de pessoas sem seguro nunca foi tão baixa. Além disso, o presidente citou a queda nas taxas de aumento dos custos com saúde.

Transição e aquecimento global

Não houve ataques diretos a Donald Trump, mas Obama fez crítica velada ao expor pensamentos opostos às ideias defendidas pelo próximo líder da Casa Branca. Um dos mais destacados é em relação ao aquecimento global, assunto tratado por Trump como uma farsa.

“Nossos filhos não discutirão o que causa danos à natureza, estarão preocupados em resolvê-los. Negar o problema não apenas trai as gerações futuras, é uma traição ao espírito de usar a razão para lidar com os desafios”, disse Obama.

Apesar das divergências, Obama garantiu que tem intenção de realizar uma transição pacífica para o próximo presidente.

Barack Obama não fez menções a Hilary Clinton. Ao fim do discurso, houve um momento de maior emoção, quando falou da esposa Michelle Obama, de suas filhas e da parceria do vice, Joe Biden. A fala foi encerrada com a frase que ficou conhecida durante as suas campanhas: “Yes, we can” (sim, nós podemos). E complementou: “Yes, we did! Thank you!” (sim, nós fizemos! Obrigado!)

GAÚCHA

voltar
© Copyright 2019