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A presidente Dilma Rousseff fez um rápido pronunciamento, na noite desta quarta-feira (2), sobre o processo de impeachment que é movido contra ela. Durante cerca de três minutos, ela afirmou que estava indignada com o processo e lembrou que não tem contas no exterior ou bens que não tenham sido declarados – em clara referência às denúncias contra o presidente da Câmara, Eduardo Cunha.

"Não existe nenhum ato ilícito praticado por mim (…) meu passado e meu presente atestam minha idoneidade", afirmou.

Tire suas dúvidas sobre como funciona o processo de impeachment

Dilma começou falando sobre a aprovação da meta fiscal pelo Congresso, ocorrida mais cedo. Logo em seguida, afirmou que recebeu com indignação a notícia de que o presidente da Câmara havia aceitado a abertura do processo de impeachment contra ela.

"São inconsistentes e improcedentes as razões que levaram a esse processo", declarou Dilma (ouça o pronunciamento abaixo).

Dilma também declarou que jamais aceitaria uma possível barganha de votos na base governista para arquivar o processo. Lembrou ainda que não pode deixar "as conveniências e os interesses indefensáveis abalarem ou mexerem com a nossa democracia".

O pronunciamento não deixou margem para perguntas de jornalistas.

"Bom, boa noite a todos. Eu dirijo, agora, uma palavra de esclarecimento a todas as brasileiras e a todos os brasileiros.

No dia de hoje, vocês viram, foi aprovado pelo Congresso Nacional o Projeto de Lei que atualiza a meta fiscal, permitindo a continuidade dos serviços públicos fundamentais para todos os brasileiros.

Ainda hoje, eu recebi com indignação a decisão do senhor presidente da Câmara dos Deputados de processar pedido de impeachment contra mandato democraticamente conferido a mim pelo povo brasileiro. São inconsistentes e improcedentes as razões que fundamentam este pedido. Não existe nenhum ato ilícito praticado por mim. Não paira contra mim nenhuma suspeita de desvio de dinheiro público. Não possuo conta no exterior, nem ocultei do conhecimento público a existência de bens pessoais. Nunca coagi ou tentei coagir instituições ou pessoas, na busca de satisfazer meus interesses. Meu passado e meu presente atestam a minha idoneidade e meu inquestionável compromisso com as leis e a coisa pública.

Nos últimos tempos, em especial nos últimos dias, a imprensa noticiou que haveria interesse na barganha dos votos de membros da base governista no Conselho de Ética da Câmara dos Deputados. Em troca, haveria o arquivamento dos pedidos de impeachment. Eu jamais aceitaria ou concordaria com quaisquer tipos de barganha, muito menos aquelas que atentam contra o livre funcionamento das instituições democráticas do meu País, bloqueiam a Justiça ou ofendam os princípios morais e éticos que devem governar a vida pública.

Tenho convicção e absoluta tranquilidade quanto à improcedência desse pedido, bem como quanto ao seu justo arquivamento. Não podemos deixar as

conveniências e os interesses indefensáveis abalarem a democracia e a estabilidade de nosso País. Devemos ter tranquilidade e confiar nas nossas instituições e no Estado Democrático de Direito.

Obrigada a todos vocês e muito boa noite."

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