Oposição prepara movimento pró-impeachment de Dilma na Câmara

Partidos da oposição e até integrantes das base aliada pretendem lançar na próxima semana um movimento pró-impeachment da presidente Dilma Rousseff na Câmara dos Deputados. O grupo contará com deputados de PSDB, DEM, PPS, Solidariedade, PSC e até PMDB. A ideia inicial era montar uma frente parlamentar. No entanto, como isso exigiria assinaturas, os parlamentares preferiram criar um movimento para preservar quem não quer se expor e para evitar cooptação de membros por parte do governo.



A ideia amadureceu em encontro realizado na semana passada na casa do deputado Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) em Brasília. Um integrante do PSDB disse que o movimento terá site, produzirá material gráfico e promoverá interação através de redes sociais. A intenção é criar um canal de diálogo mais amplo com os movimentos de rua que defendem a saída da presidente Dilma.



Além disso, os idealizadores do movimento pretendem garantir a maioria necessária para levar adiante um processo de impeachment na Casa. Pelo roteiro desenhado pelos opositores de Dilma, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), rejeitaria o pedido de impeachment para não se comprometer. Um partido de oposição apresentaria recurso que seria apreciado pelo plenário da Casa. Caso consiga mais da metade dos votos dos deputados presentes na sessão, o grupo aprovaria o requerimento, abrindo assim o processo.



Os integrantes do movimento ainda não sabem qual será o embasamento jurídico que adotarão, mas já há conversas com o jurista Hélio Bicudo, um dos fundadores do PT, que apresentou pedido de impeachment à Câmara nesta semana. Na peça apresentada, Bicudo cita as "pedaladas fiscais", a Operação Lava Jato e a compra da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos, pela Petrobras para afirmar que Dilma cometeu crime de responsabilidade.



O jurista também lembra que o vice-presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Gilmar Mendes, solicitou à Procuradoria-Geral da República apuração sobre eventuais crimes eleitorais. Representantes do movimento também pretendem analisar os argumentos apresentados por outros juristas, como Miguel Reali Júnior.



Até o final desta semana, a Câmara já havia recebido 17 pedidos de impeachment. Cinco foram arquivados por Cunha por inadequação formal. A maioria dos requerimentos foi apresentada por  cidadãos comuns. Apenas um parlamentar, o deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ), protocolou pedido de afastamento da presidente da República.

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