Paralisação de caminhoneiros contra alta de combustíveis tem protesto em refinaria e gera desabastecimento no RS

O protesto de caminhoneiros contra o aumento no valor dos combustíveis chega ao terceiro dia e afeta o transporte e abastecimento de produtos no Rio Grande do Sul. Frigoríficos e indústrias do interior dispensaram os funcionários e suspenderam a produção. Com a falta de combustível, ônibus podem deixar de operar.Conforme a Sulpetro e a Sindipetro Serra, pelo menos 21 municípios já informaram falta de gasolina. São eles: Canguçu, Osório, Pelotas, Uruguaiana, Bagé, Santa Vitória do Palmar, Encantado, Torres, Cachoeira do Sul, Três Coroas, Igrejinha, Erechim, São Leopoldo, Novo Hamburgo, Porto Alegre, Caxias do Sul, Bento Gonçalves, Vacaria, Gramado, Esteio e Farroupilha. Ainda segundo as entidades, diesel e etanol também estão em falta em alguns dos postos.

A Prefeitura de Santa Vitória do Palmar decretou calamidade pública nesta quarta (23) devido à situação. A decisão do prefeito Wellington Bacelo (MDB) foi anunciada após uma reunião de emergência no gabinete, com os secretários municipais.

Em razão da paralisação dos caminhoneiros, a maioria dos postos não é abastecida pelos caminhões-tanque desde segunda-feira (21). Frentistas e donos dos estabelecimentos dizem que, por enquanto, ainda não existe previsão para o recebimento de gasolina.

Na manhã desta quarta (23), motoristas bloquearam o acesso à refinaria Alberto Pasqualini (Refap), em Canoas, na Região Metropolitana de Porto Alegre, responsável pelo abastecimento de diversas cidades gaúchas e de outros estados do Sul do país. Motoristas eram abordados no acesso ao local, e orientados a não entrarem.Com isso, os motoristas se mobilizaram para encher o tanque.

Os postos de combustíveis de Pelotas, no Sul do estado, que ainda tinham o produto registraram imensas filas desde a tarde de terça (22). O preço do litro da gasolina comum na cidade é vendido, em média, por R$ 4,79, mas alguns postos cobram até R$ 4,89.

O produtor rural Francisco de Assis teve sorte. Ele conseguiu encher o tanque. "Moro na colônia e lá é mais difícil, né? Não dá pra ficar a pé", comentou.Na mesma região, em alguns postos de Rio Grande o estoque acabou rapidamente. Na cidade, o protesto dos caminhoneiros também causa transtornos no Porto.

Os veículos com cargas são abordados pelos manifestantes na BR-392. No maior terminal agrícola, por exemplo, 1 mil veículos carregados com soja eram descarregados a cada dia. No entanto, nenhum conseguiu ter acesso ao local por causa da manifestação.

Em Uruguaiana, pela manhã já não havia gasolina em pelo menos seis estabelecimentos. O preço médio do litro da gasolina comum na cidade é alto: chega a R$ 5. O vigilante Edenilson dos Santos encheu um galão para garantir combustível. "É para o carro da minha esposa", explicou.

O mototaxista Derli Soares Marques reclamou da situação. "Sem gasolina não dá para trabalhar", queixou-se.

 

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