A Polícia Federal e a Receita Federal desarticularam nesta terça-feira (25) um esquema de fraude em importações no Rio Grande do Sul cujo prejuízo aos cofres públicos pode somar US$ 200 milhões. A fraude consistia na ocultação dos reais importadores de produtos adquiridos na China e Europa, e que abasteciam redes de lojas e comerciantes de materiais diversos, como roupas, eletrônicos e objetos de decoração.
A ocultação dos compradores quebrava a cadeia de tributação, permitindo o recolhimento menor de impostos como IPI e ICMS. A base da fraude era uma empresa de consultoria de importações, com sede em Porto Alegre, que criou uma empresa laranja em Itajaí (SC) com o único propósito de esconder os verdadeiros compradores.
A operação Elipse, deflagrada hoje, se concentrou sobre quatro empresas. A investigação começou em 2013, e no período o valor sonegado pode chegar a US$ 200 milhões.
A Rádio Gaúcha apurou que, em Porto Alegre, buscas foram feitas nas empresas Exicon (consultoria em importações) e Trevisan Concept (decorações). Em Eldorado do Sul, houve buscas na sede da rede de lojas Lebes. Procuradas pelas reportagem, as empresas disseram no final da manhã que ainda estavam tomando ciência dos detalhes da investigação e não ser pronunciariam por enquanto.
Segundo o superintendente da Receita Federal no Rio Grande do Sul, Paulo Renato Silva da Paz, o esquema de ocultação de importadores é conhecido, mas o valor na fraude chamou a atenção dos investigadores.
"Essa é uma prática identificada várias vezes, mas o valor é elevado agora. A empresa movimentou, nos últimos oito anos, próximo de US$ 1 bilhão. E nos últimos quatro anos, se tem a comprovação de que US$ 200 milhões de dólares estão, no mínimo, sob suspeita", explica o superintendente.
"Há vários clientes dessa empresa que podem ser investigados. Mas fizemos as buscas apenas em alguns clientes com indícios que tinham conhecimento da fraude e aderiram voluntariamente a esse sistema de importação", diz o delegado Alexandre Isbarrola, chefe da delegacia de Repressão a Corrupção e Crimes Financeiros.
As empresas investigadas responderão por descaminho e evasão de divisas. Além de Porto Alegre, Itajaí e Eldorado do Sul, mandados de busca e apreensão foram cumpridos em Novo Hamburgo, Cachoeirinha e Guaíba.
A operação foi batizada de Elipse, em referência à figura de linguagem que consiste na omissão de um ou mais termos de uma oração, sendo que estes são facilmente identificados a partir do contexto do texto.
GAÚCHA