Piratini paga R$ 1 milhão por mês a servidores cedidos a sindicatos

Palácio Piratini apresentou no fim deste ano um dos projetos mais polêmicos do governo de José Ivo Sartori (PMDB): a diminuição do número de servidores cedidos com exclusividade a atividades sindicais. Segundo o Governo, o principal objetivo é reduzir os gastos. A medida está no sexto pacote de ajuste fiscal, que será votado em sessões extraordinárias nos dias 28 e 29 deste mês na Assembleia Legislativa.

Por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI), a Rádio Gaúcha teve acesso ao valor despendido todos os meses a 113 servidores que são cedidos a entidades de classe. A soma é de R$ 1.055.628,03. Os maiores vencimentos na lista do Executivo são de auditores fiscais, que chegam a R$ 30.471,11. Os menores salários são de professores, que atingem o valor mínimo de R$ 1260,20.

O levantamento não inclui os gastos com representantes de trabalhadores do Tribunal de Justiça, Ministério Público, Defensoria Pública, Tribunal de Contas e Assembleia Legislativa, que também são atingidos pela proposta do Governo.

A lei encaminhada pelo Executivo altera as regras de 1990. Hoje, é possível a dispensa máxima de nove servidores a entidades associativas (dependendo do número de associados). A nova lei prevê a diminuição para até dois.  Aos sindicatos, a proposta é de reduzir de 11 representantes para até quatro na diretoria executiva. Os limites, no entanto, serão computados globalmente por categoria ou carreira de servidores, e não por entidade associativa ou sindical. Ou seja, a Sindicato dos Professores (Cpers), que representa 70 mil docentes, teria no máximo quatro pessoas cedidas.

A medida é alvo de críticas dos sindicatos, que se articulam para realizar protestos a partir da próxima segunda-feira (28). “Este é um custo da democracia, assim como a democracia custeia os partidos políticos, ela custeia também as entidades sociais, que são os sindicatos. Portanto, isso é uma retaliação indevida”, critica o presidente da Federação dos Servidores Públicos (Fessergs), Sérgio Arnaud.

Confira, abaixo, a lista dos dez maiores salários de sindicalistas ligados ao Poder Executivo, segundo informações do Palácio Piratini:

Abel Henrique Ferreira (Sindifisco) – R$ 30.471,11

Enio Julio Pereira Nallem (Afisvec) – R$ 30.471,11

Geraldo Scheibler (Sindifisco) – R$ 30.471,11

Roberto Kupski (Afisvec Nacional) – R$ 30.471,11

Zulmir Ivanio Breda (Conselho Federal de Constabilidade) – R$ 30.471,11

Altemir Feltrin da Silva (Afisvec) – 29.927,30

Celso Malhani de Souza (Sindifisco) – 28.723,90

Carlos Eduardo Bijoldo Fossa (Sindifisco) – 28.676,78

Telmo Lemos Filho (Apergs) – 27.919,16

Luiz Fernando Barboza dos Santos (Apergs) – 25.127,23

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