Plenário vota, e Delcídio do Amaral tem mandato de senador cassado

Delcídio do Amaral (sem partido-MS) teve o mandato de senador cassado nesta terça-feira (10). A decisão ocorreu em plenário no Senado. O número de votos a favor da perda do mandato de Delcídio foi de 74, enquanto houve apenas uma abstenção.

A sessão teve início por volta das 18h30. Por cinco minutos, o presidente do Senado, Renan Calheiros, suspendeu a discussão devido à ausência de Delcídio e um advogado na Casa.

Na segunda-feira (9), a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) deu aval para que a votação no plenário do Senado sobre o parecer do Conselho de Ética, que recomendou a perda do mandato de Delcídio. Antes, o parlamentar havia se emocionado durante discurso. Delcídio do Amaral pediu desculpas ao povo brasileiro e ao de seu estado e agradeceu a familiares pelo apoio durante o período de afastamento.

Prisão

Delcídio do Amaral foi preso em 25 de novembro do ano passado pela Polícia Federal, em Brasília. A prisão foi autorizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) após informações de que ele estaria atrapalhando as investigações da Operação Lava Jato.

Até então líder do governo no Senado, Delcídio do Amaral foi citado pelo ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró como um dos participantes do esquema de desvio de recursos envolvendo a compra da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos. Ele teria até oferecido a possibilidade de ajudar na fuga de Cerveró para que não colaborasse com a Justiça com informações sobre a corrupção na Petrobras. A conversa foi gravada por um dos filhos de Cerveró.

Foi a primeira vez que um senador é preso no exercício do cargo. A Constituição só permite a prisão em caso de flagrante. Neste caso, o STF entendeu que a conduta do senador – obstrução de investigação – é considerada crime permanente.

Delação premiada

No início de março deste ano, foram divulgados detalhes da delação premiadade Delcídio do Amaralsolto em fevereiro após quase 90 dias de prisão acusado de atrapalhar as investigações da Operação Lava Jato. No acordo com a Procuradoria Geral da República, o político citou os nomes do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, da presidente Dilma Rousseff e do então ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo

No acordo de delação, que tem cerca de 400 páginas, Delcídio acusou a presidente de tentar interferir na operação Lava Jato por meio do Judiciário. Dilma e José Eduardo Cardozo – tentaram atuar na soltura de investigados presos na operação.

 

Entre os citados no documento de delação premiada está o deputado federal gaúcho Marco Maia (PT). O ex-líder do governo no Senado afirma que o gaúcho e outros parlamentares teriam cobrado "pedágio" de empresários para que eles não fossem convocados pela CPI da Petrobras, encerrada em 2014. Maia foi o relator da comissão. 

 

 

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