Posse de Trump marca o fim de um período de tensão na política americana

Um encontro amistoso, regado a xícaras de chá no salão Oval da Casa Branca, encerra na manhã desta sexta-feira uma das transições mais controversas da história recente americana e marca a volta do partido republicano ao comando dos Estados Unidos.

Quando Barack Obama e Donald Trump se encontrarem para o início do tradicional rito de posse , 71 dias terão se passado desde a primeira reunião entre os dois, no dia 10 de novembro, logo após a vitória de Trump. À época, os dois deixaram nítido o desconforto da ocasião. Até o aperto de mãos foi frio de parte a parte. Desde então, a tensão diminuiu, mas não apagou as marcas deixadas por uma campanha agressiva, de ataques pessoais e cercada de boatos. Em comícios, Obama repetia que Trump não estava à altura de um presidente americano. 

Em novembro, na Flórida, reportagem da Gaúcha assistiu à comício em que Trump chamou Hillary de trapaceira e Obama de “uma pessoa não muito diferente dela”. E completou: “Eu vou acabar com o pântano da política de Washington e farei a América ser grande novamente”. Obama e Trump são os opostos num país polarizado entre Democratas e Republicanos. Para deixar mais claras as diferenças, Trump reafirmou, durante a transição, que irá acabar com o chamado Obamacare, a universalização dos planos de saúde, bandeira da gestão Democrata. O modelo de atendimento à população que substituirá o atual, no entanto, ainda não foi apresentado. No plano internacional, a Rússia foi o motivo de desavença mais profunda entre Obama e Trump.  

Enquanto Obama se distanciou de Putin e impôs uma série de sanções aos russos que estendeu seus braços sobre a Ucrânia, Donald Trump, por outro lado, considera a Rússia uma parceria. As primeiras medidas de Trump são mantidos sob sigilo. Nem mesmo congressistas Republicanos mais próximos ao novo presidente conseguem antecipá-las. Prova disso é a dificuldade que os integrantes do novo gabinete presidencial estão encontrando nas sabatinas no congresso. Todos os membros do primeiro escalão do novo governo passam, obrigatoriamente, por questionamento de comissões de senadores. Os novos secretários da Educação, Betsy Devos, da Saúde, Tom Price e do Tesouro, Steve Mnuchin foram duramente cobrados pelas promessas de campanha de Trump e não conseguiram explicar quais serão as primeiras medidas do novo governo. 

A expectativa é que ainda nesta sexta ou ao longo do fim de semana, Trump fará o anúncio de medidas que dependem apenas do executivo, sem necessidade de aprovação pelo Congresso. É possível que as bases do no governo fiquem mais claras com o discurso de posse. Ele foi redigido por Trump com a ajuda de assessores, segundo informa Tom Barrack, coordenador do comitê de posse.

– O novo presidente sabe que precisa curar as feridas de tudo o que aconteceu recentemente e construir pontes. Ele dirá que será o presidente para todos os americanos, inclusive para os eleitores que votaram em Hillary Clinton – afirmou  Tom Barrack, em entrevista nessa quinta-feira, em que também elogiou o alto nível das equipes de transição.

Mais comedido nas críticas, Obama evitou fazer comentários sobre o novo governo. Na última entrevista à imprensa americana, afirmou apenas que depois de deixar o governo, poderá pensar em fazer considerações sobre seu sucessor.  Nesta sexta, no entanto, pelos menos por algumas horas, as diferenças entre os dois vão desaparecer. Obama receberá Trump na Casa Branca para um encontro que marca o início da troca de comando. Juntos, irão de limusine até o Capitólio, a cerca de 2 quilômetro de distância da Casa Branca. Logo após o juramento e o primeiro pronunciamento, Trump e a nova primeira-dama vão percorrer de carro o caminho de volta até a Casa Branca. 

Nessa quinta-feira, toda a área central, num raio de 4 quadras a partir da sede do governo foi isolada, impedindo a circulação de veículos. Grades foram instaladas em praticamente todos os prédios de governo, que passaram a ser guarnecidas por equipes de policiais. Nas arquibancadas erguidas ao longo do trajeto que será percorrida pelo novo presidente, cada detalhe da estrutura foi verificado.

GAÚCHA

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