Quantidade de defensivos irregulares apreendidos triplica no RS em 2020, diz PRF

A Polícia Rodoviária Federal (PRF) do Rio Grande Sul aumentou a fiscalização para combater que agroquímicos ilegais cheguem às lavouras. De janeiro a agosto de 2020, foram mais de três toneladas de agrotóxicos irregulares apreendidas no estado, três vezes mais se comparado com o mesmo período do ano passado.No dia 16 de setembro, uma viatura da Polícia Rodoviária Federal fez uma perseguição a um contrabandista na cidade de Lajeado após receber informações do serviço de inteligência. Ao não obedecer a ordem de parada, o motorista partiu em fuga até ser encurralado em uma mata.No carro, os policiais encontraram 400 pacotes de 1 quilo cada e 25 galões de agrotóxicos, todos fabricados na China e que entraram no Brasil via Paraguai.

No início do mês,  outra apreensão foi realizada na BR-285, em Passo Fundo. Dessa vez, uma carreta carregada com agrotóxicos, avaliados em R$ 1,624 milhão.

Os agentes federais realizavam o policiamento  quando enxergaram  a carreta parada às margens da rodovia. O  assaltante fugiu,  deixando o caminhão aberto e com o motor ligado.

Embora enquadrados nas leis dos crimes fiscais, ambientais,  dos Agrotóxicos e também no Código Penal , a produção, o transporte, a compra e venda e a utilização de agrotóxicos contrabandeados, roubados ou falsificados crescem no país.

No Rio Grande do Sul, a PRF apreendeu, de janeiro a agosto, deste ano,  duas toneladas a mais de agrotóxicos ilegais em comparação ao mesmo período do ano passado. O desafio dos policiais é conseguir apreender os produtos de forma segura.

“A Polícia Rodoviária Federal vem investindo em serviços de tecnologia e também inteligência policial. Os agentes, que antes trabalhavam basicamente com abordagens aleatórias, agora recebem da inteligência da PRF informações sobre quais veículos  abordar”, disse o chefe de Comunicação Social da PRF-RS, Felipe Barth.

Segundo Barth, essa maior eficiência é resultado de treinamento, já que a polícia precisa estar bem preparada para a criatividade dos contrabandistas. “Apesar das cargas ilícitas, sejam elas agrotóxicos, drogas ou outras, virem cada vez mais bem escondidas nos veículos, os policiais estão cada vez mais treinados. Então, por mais que a carga esteja muito difícil  de achar, os policiais conseguem. Temos histórico de apreensões  de agrotóxicos que estavam tão bem escondidos em veículos que os policiais precisaram algumas horas  para fazer a desmontagem  e encontrar”, falou.

O Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Vegetal e a Croplife Brasil  alertam que a compra de defensivos agrícolas deve ser feita somente em canais de venda de confiança do produtor rural, como cooperativas, revendas autorizadas e legalmente estabelecidas ou diretamente com o fabricante.

É importante  também aplicar os produtos  nas lavouras somente com a receita agronômica emitida por um engenheiro agrônomo, e seguindo as recomendações de utilização.

“Essa apreensão que Polícia Rodoviária Federal exerceu no Rio Grande do Sul nos dá uma pequena amostra do quanto as autoridades estão realizando em termos de apreensões de produtos ilegais, relacionados aos agroquímicos. Preocupados com essa temática, nós da Croplife Brasil recomendamos que os produtores só façam uso de produtos registrados  e adquiridos nos canais de venda autorizados. Desta maneira, eles evitam o risco de perder toda a sua safra em decorrência  da insegurança  que estes produtos apresentam, inclusive,  desenvolvemos um programa de treinamento do qual pretendemos levar conhecimento e informação tanto para as autoridades  de fiscalização  e repressão quanto para os produtores de modo que eles com esse conhecimento possam evitar o uso e desestimular o comércio  de produtos  agroquímicos ilegais”, ressaltou  Nilto Mendes, gerente de Combate a Ilegais da CropLife Brasil

O uso de produtos ilegais tem sido um  desafio para o setor agrícola brasileiro e é uma prática que deve ser combatida, segundo a Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul). “O produtor rural pode  estar colocando em risco a sua segurança, a segurança da sua lavoura, visto que nós não temos a certeza que este princípio ativo que muitas vezes consta no rótulo é verdadeiro ou não, pois  são produtos irregulares”, disse o diretor da Farsul, Fábio Avancini.

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