Rádio Águas Claras entrevista, Luciano Buligon, prefeito de Chapecó

Em visita a Catuípe, Buligon concedeu uma entrevista exclusiva ao jornalista Leandro Benetti. “Nós vivíamos um sonho” diz prefeito de Chapecó.

O prefeito de Chapecó, Luciano Buligon, em visita a familiares em Catuípe nesta segunda-feira (19) disse em entrevista a Rádio Águas Claras que o time da Chapecoense estava em seu melhor momento e que a cidade “vivia um sonho”.

“A Chapecoense passava por um grande momento. Nós vivíamos um sonho, eu nunca cansei de dizer isso. Uma cidade do interior, três vezes na série A do Campeonato Brasileiro, disputadíssimo”, disse Buligon em entrevista a nossa emissora.

Ele afirmou que acredita ter uma missão a cumprir, após o acidente com o avião da equipe da Chapecoense que caiu na madrugada do dia (29-11) próximo a Medellín, na Colômbia. “Estou agradecendo a Deus, disse que está feliz. Eu acredito que fiquei para cumprir a missão de resgatar a nossa autoestima”, disse.

O prefeito embarcaria junto com a equipe, mas decidiu ficar na capital paulista para uma reunião na manhã do dia posterior que trataria de parcerias público-privadas para Chapecó e pediu para que o presidente do Conselho Deliberativo da Chapecoense, Plínio David de Nes Filho, também ficasse.

O acidente com o avião que levava a equipe do Chapecoense e 21 jornalistas matou mais de 70 pessoas. 

Segundo o prefeito, os dois embarcariam num voo comercial às 15h50 do dia posterior ao acidente e chegariam à 1h (horário de Brasília) em Medellín para assistir a primeira final da Copa Sul-Americana, contra o Atlético Nacional, marcada para o dia (30).

“Sentimento de perda e dor, todas aquelas pessoas que estavam naquele avião são conhecidos íntimos nossos. Uma cidade de 210 mil habitantes não é tão grande assim, a gente conhece todos eles. É muito dolorido”, disse o prefeito.

Avião fretado

Segundo o prefeito de Chapecó, o avião foi fretado para reduzir o desgaste dos jogadores. Ele disse que a aeronave já atendeu às seleções da Bolívia e Argentina. Buligon afirmou ainda que já havia voado com a tripulação, incluindo o piloto, que também era proprietário da empresa venezuelana LaMia, sigla para Línea Aérea Mérida Internacional de Aviación.

Os voos ocorreram durante os últimos jogos da Copa Sul-Americana. “Foi um voo tranquilo, o piloto acabou virando torcedor da Chapecoense, assistiu o jogo. Era uma pessoa tranquila, bom piloto, não imaginávamos que ele voava com combustível no limite ”, disse Buligon.

Ele explicou que a aeronave deveria ter partido de Guarulhos, o que não ocorreu já que a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) não autorizou. Existe um regulamento internacional que só permite que empresas aéreas façam fretamento com origem no próprio país. “Não é do nosso cotidiano [fretamento de voos internacionais], a gente só ficou sabendo no domingo à noite. A Chapecoense redimensionou a logística”, explicou.

Dessa forma, a equipe partiu em avião comercial de Guarulhos para Santa Cruz de La Sierra, na Bolívia. De lá, partiram em avião fretado com destino a Medellín. O avião deveria ter chegado à 1h da manhã (horário de Brasília) na cidade colombiana. A aeronave caiu a 30 km da cabeceira do aeroporto, disse o prefeito.

“Eu recebi a notícia às 3h30 da manhã. Meu telefone fica no silencioso, eu estava dormindo no hotel. O que me despertou foi o telefone do hotel, imediatamente, eu olhei meu celular e tinha várias ligações da minha cunhada, que mora em Los Angeles. Talvez, pelo fuso horário, ficou sabendo primeiro. Foi um impacto muito grande”, lembrou Buligon.

Solidariedade Colombiana

Prefeito Luciano destacou o apoio dado pelas autoridades e pela população colombiana no resgate. Lembrou ainda que muitos países enviaram condolências e pêsames.

“Em instante algum estivemos sós. O mundo nos deu as mãos. Governos e indivíduos de todas as partes encontraram sua forma de trazer ao Brasil, de trazer a Chapecó, as mais tocantes expressões de afeto”, recordou.

Ele afirmou que a Colômbia fez mais do que responder ao acidente de forma profissional e socorrer as vítimas. “Na verdade fez muito mais do que isso. A Colômbia chorou com o Brasil”, disse Luciano. “As palavras nunca bastarão para agradecer à Colômbia e aos colombianos a inesquecível lição de humanidade que nos deram”, ponderou.

O prefeito de Chapecó, Luciano Buligon agradeceu o carinho da comunidade catuipana, e aproveitou o microfone da Rádio Águas Claras para convidar para visitar Chapecó ano que vem no ano do centenário e desejou um feliz natal a todos.

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