Redução de temporários pode chegar a 50%

Tradicionalmente, o mês de outubro inaugura o período de maior procura por mão de obra temporária, que irá dar suporte ao aumento da demanda das empresas com a chegada do final de ano. Mas, para 2015, esse movimento deve ser muito mais contido do que nos anos anteriores, reflexo do desaquecimento econômico e da retração do mercado de trabalho.
As projeções não são nada animadoras: a previsão de redução no número de vagas provisórias varia entre 20% a 50%, de acordo com entidades ouvidas pela reportagem do Jornal do Comércio. No País todo, devem ser contratadas temporariamente mais de 107 mil pessoas somente no mês de dezembro, de acordo com a Associação Brasileira do Trabalho Temporário (Asserttem). Esse número é 20% menor do que o registrado no mesmo período de 2014. Porém, esse percentual de queda será sentido durante todo o último trimestre do ano.
Segundo a presidente da entidade, Jismália Oliveira, a estimativa leva em consideração a redução de vagas temporárias já registradas no primeiro semestre de 2015, com queda de 15%. Porém, com o agravamento da situação econômica desde o início do segundo semestre, Jismália projeta que a redução nas contratações temporárias formais seja ainda maior e chegue a 20%. "Percebemos que o cenário é desfavorável, o que nos leva a calcular uma queda muito grande", afirma.
A Fundação Gaúcha do Trabalho e Ação Social (Fgtas) segue uma lógica semelhante ao analisar o mercado temporário para o final de ano. Segundo o diretor-presidente da entidade, Juarez Santinon, a grande movimentação de abertura de vagas provisórias começa em novembro, mas, observando a retração desse mercado ao longo do ano, já é possível sacramentar que as oportunidades serão menores em 2015. Ele estima que a mesma redução notada ao longo deste ano, com queda de 35% nas vagas temporárias, seja mantida também no final de ano.
Diante da instabilidade do cenário, Santinon, embora evite o pessimismo, crê na possibilidade de que a estimativa de que o número de postos de trabalho temporário seja reduzido pela metade seja concretizada. Essa é a projeção da Associação Gaúcha para o Desenvolvimento do Varejo (AGV), que prevê redução de 50%. "No ano passado, o comércio gaúcho contratou, nos meses de outubro e novembro, um total de 18 mil temporários para um universo de 350 mil trabalhadores do setor em todo o Estado. Para este ano, pelo levantamento realizado, não serão oferecidas mais de 9 mil vagas, uma redução de 50% em relação ao ano passado", sublinha o presidente da entidade, Vilson Noer. Como as empresas farão um esforço maior para elevar a produtividade funcional, a fim de minimizar as perdas do primeiro semestre, as contratações tendem a ser menores.
"Sabemos que muitas empresas estão com estoques altos, mas que, mesmo assim, acabaram não demitindo. Isso torna possível a concretização desse número indicado pela AGV", comenta o presidente da Fgtas. "Esperamos que isso não ocorra, mas é possível."
Essa possibilidade é real, de acordo com levantamento feito pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) em parceria com a Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), que indica que nove em cada 10 empresários não contrataram nem pretendem contratar funcionários para reforçar o quadro das empresas para o período. Dos 1.168 executivos consultados em setembro, apenas 7% afirmaram que não contrataram, mas irão abrir vagas até o final do ano.
O levantamento aponta que, entre empresários que não pretendem contratar temporários, 49% acreditam que a equipe de trabalho atual é suficiente para atender ao volume de clientes projetados para o final de ano. "O empresariado imagina que os resultados do Natal, principal data em número de vendas e faturamento, serão ruins, o que impede de investir em infraestrutura e, principalmente, desestimula a contratação de mão de obra", declara o presidente da CNDL, Honório Pinheiro.
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