Sartori estima déficit de R$ 5,4 bilhões no RS em 2015

O governador do Rio Grande do Sul, José Ivo Sartori (PMDB), afirmou nesta terça-feira a empresários de São Paulo, que não cabe a ele esconder a situação financeira do Estado. "Vamos terminar o ano com um déficit de R$ 5,4 bilhões, o que representa três folhas de pagamento. Me elegi com o compromisso de dizer a verdade", salientou em coletiva.



Sartori disse que na próxima semana vai enviar as primeiras medidas e projetos estruturantes de ajuste para as contas do Estado, com cumprimento de metas, mas não deu maiores detalhes sobre as propostas. "O Rio Grande tem rumo, sabemos o tamanho do desafio, não é desafio para um homem só. Vamos arrumar nossa casa, olhar para frente e buscar construir o futuro que todos nós precisamos", projetou.



Na semana passada, o governo do Rio Grande do Sul anunciou o atraso, pela segunda vez, no pagamento de uma parcela de R$ 280 milhões com a União. Em abril, quando deu o calote na parcela da dívida pela primeira vez, Sartori havia dito que o atraso não se repetiria. Até o momento, ele não mencionou os atrasos na apresentação que faz em São Paulo.



Sartori relatou aos empresários medidas tomadas por seu governo até aqui, como contingenciamento de 35% dos cargos de confiança e redução de 30 secretarias para 19, além do adiamento de seis meses de pagamentos que estavam atrasados. "Tem que ter coragem para tomar as atitudes necessárias", frisou, ao defender o ajuste fiscal promovido pelo governo estadual. 



No encontro, promovido pela revista Exame, o governador falou sobre a crise em um contexto que, segundo ele, extrapola o Rio Grande e até o Brasil. Sartori disse que há um "esgotamento" político, econômico e social, no Brasil e no mundo. E defendeu uma lógica de Estado mínimo, em que o Estado não atrapalhe investimentos do setor privado. Sartori se disse favorável a uma mudança estrutural modernizadora do poder público.



Ele também disse genericamente que vai apoiar as iniciativas de acabar com a guerra fiscal entre estados e municípios. "Estamos apoiando a postura nacional da mudança da guerra fiscal do País", definiu. Sartori se disse favorável a uma "equalização" tributária, mesmo que seja inicialmente ruim para o Rio Grande do Sul.



Sartori disse que provavelmente será mais um governador que não será reeleito no Estado – desde a institucionalização da reeleição no Brasil, nenhum governador gaúcho se reelegeu. O governador disse não se mover por ambição eleitoral. "Até hoje a ficha não caiu totalmente (de ter sido eleito governador), mas sei o papel que tenho que desempenhar. Consegui constituir uma boa equipe e essa equipe me dá muita alegria para enfrentar o desafio e oferecer esperança."

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