Suspeitos de aplicar golpes contra pecuaristas são presos no RS

Foram presos preventivamente, nesta terça-feira (22), dois suspeitos de aplicar golpes contra pecuaristas de 10 municípios das regiões Central e da Fronteira do Rio Grande do Sul. A Polícia Civil apura pelo menos 30 ocorrências, nas quais os produtores vendiam animais para os suspeitos, mas não recebiam o pagamento combinado.

Um dos homens foi localizado em Porto Alegre. Sem antecedentes criminais, ele foi preso e encaminhado para o Palácio da Polícia. O outro suspeito foi preso em Caçapava do Sul, na Região Central do RS.

De acordo com o delegado André de Matos Mendes, da Delegacia de Polícia Especializada na Repressão aos Crimes Rurais e Abigeato (Decrab), os prejuízos são estimados em R$ 30 milhões.

“Ele comprava gado por um valor a prazo, para pagar em um mês, dois meses, e vendia esse mesmo gado por um preço mais baixo e prazo menor para receber. Ia girando esse dinheiro. Até que, num determinado momento, aconteceu esse problema: ele ficou devendo para bastante gente”, diz Mendes.

Segundo os pecuaristas, o gado era vendido sem contrato, em uma negociação informal. O pagamento era feito através de depósitos bancários ou cheques pré-datados. Contudo, a conta indicada no acerto não tinha fundos.

Relato de pecuaristas

 

Um dos produtores que denunciou o caso à polícia diz que fazia negócios frequentes com o suspeito, criando uma relação de confiança. Uma vez, no entanto, o comprador recolheu os 542 animais negociados sem efetuar o pagamento, de quase R$ 5 milhões.

O pecuarista, que preferiu não se identificar, é dono de uma propriedade em Formigueiro. Ele relatou o caso à RBS TV.

 

“Dá um peso no coração. É uma tristeza que a gente sente, porque não levou simplesmente um gado aqui de casa, aqui do nosso estabelecimento. Ele levou uma vida toda de sacrifício”, lamentou.

 

Os animais seriam transportados para propriedades do homem que fez o negócio em Formigueiro e em Caçapava do Sul. De lá, seriam vendidos para criadores de outros estados do país.

Ao contrários dos outros pecuaristas, que já conheciam o homem, Roberto Machado fez negócio com o suspeito pela primeira vez. O produtor recebeu um cheque, tentou descontá-lo, mas viu que não tinha saldo.

“O ano todo envolvido, cuidando o gado. Esperando, contando com aquele dinheiro, chega na hora e não vem, não paga. Daí fica meio difícil”, afirmou.

O pecuarista Márcio Souza, que também cria gado, vendeu 70 animais para o suspeito. Somando com as vendas feitas pelo pai e pelo irmão, eles tiveram um prejuízo de R$ 500 mil.

 

“Não é um lucro que foi embora, é uma vida inteira que a gente vem produzindo. A gente leva um choque”, contou.

G1

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