Venda de agrotóxicos proibidos no Brasil é flagrada na fronteira do RS

A venda de agrotóxicos – alguns proibidos no Brasil – foi flagrada em cidades da fronteira do Rio Grande do Sul com o Uruguai e ainda em Ciudad del Este, no Paraguai, como mostra o RBS Notícias . Sem saber, muitos desses produtos acabam nos pratos dos consumidores.Uma análise encomendada pelo Grupo RBS em cinco produtos escolhidos na Central de Abastecimento do Rio Grande do Sul (Ceasa) apontou a presença de agrotóxicos em níveis acima do permitido. Ou continham substâncias proibidas no Brasil. 
 
Nove dos 20 alimentos consultados estavam contaminados com 10 diferentes tipos de agrotóxicos. 



Em Ciudad del Este, no Paraguai, é possível encontrar qualquer tipo de agrotóxicos, mesmo os proibidos. Após uma conversa na rua, o repórter da Zero Hora Carlos Rolling é levado até uma loja de perfumes. Nos fundos do estabelecimento, um homem oferece os agrotóxicos. “Eu tenho esse produto”, diz o vendedor para o repórter.A substância não é autorizada para o uso de morangos e precisa de receituário para compra. Em uma negociação, o vendedor diz que tem um bom preço, já que o agrotóxico está vencido. Em outra agropecuária, encontramos o Benzoato de emamectina, aquele de origem chinesa, usado somente em casos emergenciais no Brasil.

Em Artigas, na fronteira com a cidade gaúcha de Quaraí, não é exigido receita para  compra dos agrotóxicos, mesmo para os proibidos no Brasil. “Para lagarta da soja é o benzoato que estão usando”, diz um vendedor.

Em outro estabelecimento, foi pedido Acefato, o agrotóxico mais encontrado nas análises feitas pelo grupo RBS em alguns produtos da Ceasa. “O princípio do Acefato, o Acefato é só 35% esse aqui é 80%”, diz o negociante que indica.

O homem garante que o transporte de agrotóxicos até o Brasil é “tranquilo” e chega a indicar pessoas que poderiam fazer o serviço.

Agrotóxicos proibidos vem da China

A grande parte dos agrotóxicos proibidos que entram no Brasil vem da China. E a principal rota de acesso é o Paraguai. Somente em 2014, o país vizinho importou acima da necessidade interna de benzoato de emamectina. Foram comprados US$ 110 milhões.



E são pelas estradas que os agrotóxicos contrabandeados entram no Brasil. Em uma abordagem na BR-290, em Eldorado do Sul, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) encontrou um carregamento de agrotóxicos escondido na carroceria. O inspetor da PRF Felipe Barth explica que a análise inicial apontava para um caminhão vazio.  “Estava com o eixo traseiro levantado e com caixas vazias, mas o policial desconfiou da maneira de agir do condutor e aprofundou a fiscalização. Atrás das caixas vazias havia uma lona e atrás da lona caixas de agrotóxicos proibidos no país”, observa Barth.



No veículo foram encontrados 960 kg de benzoato de emamectina, proibido no Rio Grande do Sul. Em alguns estados brasileiros, o uso desse produto só é permitido de forma emergencial para o combate de lagartas em lavouras.

 

“Ele (o motorista) informou que o produto veio da fronteira com o Uruguai e ele iria entregar na Zona Norte de Porto Alegre para alguém que ele diz não conhecer”, observa o policial

Também oferecem armas e drogas. Na venda de agrotóxicos os vendedores garantem inclusive a entrega para Porto Alegre. “Aqui a gente manda qualquer tipo de produto: maconha, pó, pedra”, complementa o vendedor.  Nenhuma compra foi realizada.

Na cidade paraguaia, a venda desses agrotóxicos proibidos no Brasil acontece de forma livre também em grandes lojas de defensivos agrícolas, e sem necessidade de receituário. “A gente tem uma lista de produtos que compensam você levar pra lá. Para valer a incomodação, tem que render”, diz outro vendedor.

Uruguai é outro caminho usado por contrabandistas


A rota de agrotóxicos contrabandeados também passa pela fronteira do Rio Grande do Sul com o Uruguai. Nas agropecuárias de Rivera, o repórter cinematográfico Marcelo Theil pede Gaucho, nome comercial no Uruguai do Imidacloprido, um dos agrotóxicos que encontramos no morango comprado na Ceasa.PRF garante fiscalização

A PRF garante que há fiscalização. “A gente verifica grande quantidade do Uruguai para o Brasil. Grande quantidade de agrotóxicos entrando no Brasil tanto que é alto número de apreensões”, diz Barth.

Segundo o policial rodoviário, há duas formas de fiscalização. Uma rotineira e outra específica que leve em conta o monitoramente de veículos suspeitos. 
Da fronteira até Porto Alegre, a reportagem da RBS TV percorreu mais de 600 quilômetros. Durante o caminho, não encontrou nenhuma fiscalização.

Nesta quarta-feira (7), o RBS Notícias mostra as alternativas utilizadas para o uso indiscriminado desses produtos nas lavouras.

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