A Secretaria Estadual da Saúde (SES) já havia afirmado que era apenas uma questão de tempo para que o zika vírus começasse a circular no Estado. E a previsão se concretizou: na sexta-feira, o secretário João Gabbardo dos Reis confirmou o primeiro caso importado da doença em uma mulher não gestante, moradora da Capital, que viajou ao Mato Grosso.
Os primeiros sintomas apareceram no início de janeiro, e a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) realizou diversos bloqueios no mês passado, no bairro Jardim Carvalho, onde ela reside, para evitar a circulação do vírus. Nesta semana, a prefeitura inicia a testagem dos mosquitos para o zika. Até o momento, o Aedes aegypti só vinha sendo monitorado para a dengue.
Também foi confirmado o primeiro caso de dengue autóctone em 2016 na Capital, contraído no bairro Vila Nova. Dois outros moradores da mesma residência apresentaram os sintomas e estão sendo investigados. "Até o momento, temos 36 casos de dengue confirmados no Estado em 2016, sendo quatro deles autóctones. Em relação às notificações, temos cinco vezes mais casos em investigação do que tivemos nas primeiras semanas de 2015", afirmou Gabbardo.
Ao todo, são 572 casos suspeitos de dengue no Rio Grande do Sul, sendo 157 na Região Metropolitana e 58 na Capital. De acordo com o secretário, 180 municípios estão infestados pelo mosquito, sendo que 15 deles apresentaram casos importados e quatro com autóctones (São Paulo das Missões, Guaíba, Viamão e Porto Alegre).
Em relação ao zika, 40 pessoas estão sendo investigadas em sete municípios diferentes, sendo uma delas gestante. Na Capital, são dez casos em investigação. "O vírus chegou ao Estado, e isso faz com que tenhamos preocupação. Sabemos que as condições climáticas de chuva e calor são favoráveis para a reprodução do mosquito. No ano passado, o inverno não ajudou, pois eles só morrem em temperatura menor do que cinco graus", explicou o secretário.
O grande temor relacionado ao zika, que apresenta sintomas mais leves que a dengue, é o da microcefalia em recém-nascidos. Até a semana passada, o País tinha 3.670 casos de suspeita investigados, além de 404 bebês com microcefalia ou síndromes neurológicas relacionadas ao vírus. Gabbardo disse que é preciso ter cautela, principalmente em relação ao debate sobre o aborto. "Microcefalia não é a mesma coisa que anencefalia. Na primeira, o bebê tem condições de viver. As pessoas não podem se precipitar", ressaltou.
O zika foi identificado em 1968, mas apenas em 2007 foi identificado o primeiro surto da doença, na Ilha de Yap, na Micronésia. Em 2013 e 2013, a situação se repetiu na Polinésia Francesa. No Brasil, os primeiros casos começaram a ser notificados em 2014, na região Nordeste. Em abril de 2015, foi confirmada a primeira transmissão autóctone da doença. A mesma situação foi confirmada em 21 países/territórios nas Américas.
Em 2015, o Rio Grande do Sul teve 28 casos suspeitos da febre, mas nenhum foi confirmado. Entretanto, no ano passado, um bebê nasceu com microcefalia relacionada ao vírus em Esteio. A mãe esteve em Pernambuco durante a gestação.
Em relação à febre chikungunya, já foram notificados, neste ano, 39 casos suspeitos no Estado, mas nenhum confirmado até o momento. Em 2015, foram 79 casos suspeitos, sendo cinco deles confirmados. Todos foram contraídos em outros estados, como Bahia, Pernambuco e Maranhão.